Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.
A terapia-alvo para câncer de mama é um dos tratamentos mais avançados da Oncologia, porque age de forma localizada nas células cancerígenas.
Diferentemente de outros procedimentos, a abordagem oferece menos efeitos colaterais, já que não afeta os tecidos saudáveis.
A quimioterapia é um tratamento mais agressivo, já que possui ação sistêmica, isto é, age por todo o corpo, sem distinguir células malignas de células saudáveis.
A radioterapia, apesar de agir de forma mais localizada na área afetada e nos tecidos adjacentes, também afeta tecidos saudáveis.
Por isso, a terapia-alvo de câncer de mama mostra-se como uma opção mais viável para pacientes que possuem contraindicação desses tratamentos.
Entenda melhor neste material como funciona este procedimento e em quais casos ele é mais recomendado.
O que é terapia-alvo no câncer de mama?
Este tratamento consegue agir diretamente em moléculas específicas presentes nas células tumorais, por causa da detecção de alvos celulares.
Assim como em outros tecidos, nas células cancerígenas existem proteínas e moléculas que comandam diferentes funções, contudo, de forma descontrolada.
Entre elas, podemos citar a multiplicação celular e a morte programada (apoptose), o que causa o crescimento dos tumores, que podem ocorrer de forma acelerada ou não.
Assim sendo, a terapia-alvo para câncer de mama, conforme informações do Einstein Hospital Israelita, consegue direcionar a ação dos medicamentos para as células tumorais, reduzindo significativamente os efeitos nas células saudáveis.
Com isso, é possível promover melhor qualidade de vida durante e após o tratamento, uma vez que há menos efeitos colaterais e a efetividade da abordagem é maior.
É importante ressaltar que, apesar da redução significativa dos efeitos colaterais do tratamento, os pacientes ainda podem experimentar alguns sintomas, que variam conforme a medicação.
Entre eles, podemos citar:
- Prurido (coceira);
- Sensibilidade cutânea ao sol;
- Pele seca;
- Alteração da cor da pele;
- Inchaço nas extremidades e na face;
- Alteração na cor e no crescimento do cabelo;
- Pressão alta;
- Coágulos de sangue.
Conforme a Cleveland Clinic, espera-se que a maioria dos efeitos colaterais desapareçam após alguns meses do término do tratamento.
Não deixe de ler: Sobrevida no câncer de mama HER2-positivo: expectativa, tratamentos e fatores prognósticos
Como funciona a terapia-alvo de câncer de mama?
A primeira terapia-alvo, na verdade, funcionava como uma terapia “anti-hormonal”, já que neutralizava receptores de estrogênio nas células tumorais, que eram responsáveis pelo seu crescimento.
Hoje, existem diversos medicamentos que conseguem agir especificamente em diferentes moléculas e proteínas.
Por isso, a recomendação deste tratamento depende do subtipo e da classificação do câncer de mama, assim como da medicação e da condição de saúde do paciente.
Além disso, o protocolo pode incluir apenas o uso de uma substância, chamada de monoterapia, ou ser associado a outros procedimentos, como quimioterapia, radioterapia ou tratamento cirúrgico.
Segundo a American Cancer Society (ACS), os medicamentos utilizados na terapia-alvo podem ser administrados via oral, em cápsulas, comprimidos, via intravenosa ou subcutânea.
O protocolo é individualizado e varia para cada paciente, de acordo com seu quadro clínico, o subtipo do câncer, o tamanho do tumor e a própria medicação.
Por isso, as doses podem ser administradas diariamente, semanalmente ou mensalmente.
A medicação da terapia-alvo para câncer de mama age de diferentes formas no organismo:
- Interromper a divisão celular das células cancerígenas, isto é, do crescimento do tumor;
- Alterar o funcionamento das células malignas para causar sua morte;
- Estimular o sistema imunológico a combater as células tumorais;
- Impedir a formação de novos vasos sanguíneos, que fortalecem o tumor;
- Transportar substâncias quimioterápicas ou radioativas para agir nas células cancerígenas.
Vale a leitura: Imunoterapia câncer de mama: como funciona e quais pacientes podem se beneficiar
Anticorpos monoclonais
As moléculas do medicamento funcionam como anticorpos sintéticos, que identificam células intrusas ou anormais e prendem-se às proteínas de sua superfície.
Conheça quais são os tipos de anticorpos monoclonais de terapia-alvo:
- Inibidores da angiogênese, como bevacizumabe: impedem a formação de novos vasos sanguíneos e interrompem o fornecimento de sangue, que transporta nutrientes e oxigênio;
- Agentes direcionados a HER2, como trastuzumabe e pertuzumabe: os medicamentos destroem as células cancerígenas com HER2 positivas, que são proteínas que estimulam o crescimento dos tumores, ou reduzem sua capacidade celular;
Para completar esse raciocínio: HER2-positivo: significado, diagnóstico e tratamento
Inibidores de pequenas moléculas
Este tipo de medicação possui pequenas moléculas que conseguem penetrar as células para atuar diretamente em proteínas específicas das células malignas.
- Tirosina quinase (TKIs), como erlotinib, sunitinib, imatinibe e dasatinibe: atuam bloqueando os sinais da proteína tirosina quinases, que comanda a multiplicação celular, causando a morte das células cancerígenas;
- Inibidores de mTOR, como everolimo: bloqueiam os sinais da proteína mTOR, que também é responsável pelo crescimento e invasão das células cancerígenas para tecidos adjacentes;
- Inibidores de PARP, como olaparibe: a medicação bloqueia os sinais da enzima enzima poli (ADP-ribose) polimerase-1 (PARP-1), que atua na reparação do DNA danificados das células cancerígenas;
- Inibidores de CDK, como palbociclibe, ribociclibe e abemaciclibe: bloqueiam a enzima quinase dependente de ciclina (CDK) de enviar sinais de crescimento às células malignas, para eventualmente morrerem.
Entenda em detalhes: Tratamento do câncer de mama: quais as principais abordagens?
Conheça o Dr. Felipe Andrade

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.
Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.



