Mulher segurando seios ao lado de médico, para representar a relação de reposição hormonal e câncer de mama.

Reposição hormonal e câncer de mama: existe relação?

Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher. 

Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

Mulher segurando seios ao lado de médico, para representar a relação de reposição hormonal e câncer de mama.

A reposição hormonal e o câncer de mama apresentam uma relação complexa, uma vez que os hormônios podem estimular o crescimento de células cancerígenas.

Por isso, pacientes que realizam a terapia por um período prolongado, principalmente mulheres, possuem mais chances de desenvolver a doença.

Por outro lado, a hormonioterapia é um tratamento que impede o crescimento do tumor e pode estimular a morte dessas células.

Para você entender melhor a relação dos hormônios (terapia endócrina ou reposição hormonal) e o câncer de mama, preparamos este material com as principais dúvidas sobre o tema.

Não deixe de conferir o material completo!

Qual é a relação do câncer de mama e da reposição hormonal?

Alguns tipos de cânceres possuem certas particularidades. Segundo o American Cancer Society, cerca de 67% dos diagnósticos de câncer de mama apresentam receptores hormonais (RE+) e (RP+) .

Mas como a terapia de reposição hormonal e o câncer de mama se relacionam?

Hormônios como estrogênio e progesterona são amplamente utilizados para aliviar os sintomas da menopausa, como ondas de calor, alterações de humor e secura vaginal, melhorando o bem-estar de forma geral.

Contudo, eles podem ligar-se aos receptores das células cancerígenas, estimulando seu crescimento e contribuindo para o desenvolvimento de novos tumores.

Mulheres que realizam a terapia de reposição hormonal podem apresentar mais riscos de câncer de mama, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia.

Além disso, existem outros fatores que podem contribuir para o aumento da probabilidade da doença, como histórico familiar, exposição à radiação, obesidade, sedentarismo, alcoolismo e tabagismo.

Estes fatores são chamados de fatores de riscos parcialmente modificáveis, uma vez que mulheres podem ou não se expor a eles ao longo da vida.

A idade também é um fator de risco, já que o câncer de mama tem prevalência em mulheres acima de 40 anos de idade, principalmente após a menopausa.

O risco também é maior em mulheres que tiveram a primeira menstruação precocemente ou que entraram na menopausa tardiamente. 

Isso ocorre porque elas são expostas ao estrogênio e à progesterona por um período maior.

Por isso, antes de iniciar a reposição hormonal, é essencial conversar com seu médico sobre os fatores de riscos do câncer de mama, avaliando os prós e os contras, e considerar outras alternativas ao tratamento.

Qual é a relação do câncer de mama e da terapia endócrina?

A hormonioterapia é um tratamento sistêmico, portanto, tem o potencial de atingir as células cancerígenas que possam ter saído do seu local de origem.

Este tipo de terapia utiliza medicamentos específicos para tratar o câncer de mama com receptores hormonais positivos.

Pode ser realizada após a cirurgia de remoção mamária, para eliminar tecidos residuais, chamada de terapia adjuvante.

Mas também pode ser indicada antes da cirurgia, para diminuir o tamanho do tumor ou para evitar sua disseminação pelo organismo.

Outra finalidade da terapia endócrina é a redução da probabilidade de uma recidiva  após o tratamento.

Além disso, o tratamento pode ser utilizado para controlar o câncer de mama em estadio avançado, para prolongar a sobrevida do paciente e aumentar seu conforto.

Agora, conheça quais são os principais medicamentos utilizados na hormonioterapia para câncer de mama:

Bloqueadores de receptores de estrogênio

Medicamentos com esta função são chamados de moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERMs). Eles são administrados via oral para impedir que o hormônio faça a ligação com os receptores das células cancerígenas da mama.

O tamoxifeno, por exemplo, é amplamente recomendado para:

  • Pacientes que já realizaram a cirurgia de câncer de mama;
  • Indivíduos que possuem alto risco de desenvolver a doença;
  • Pacientes com câncer em uma das mamas e podem desenvolver a doença na mama saudável;
  • Carcinoma in situ que pode progredir para uma carcinoma invasivo;
  • Diagnósticos em estágios iniciais, em mulheres que ainda não passaram pela menopausa;
  • Para mulheres com câncer de mama avançado ou metastático.

Já o uso do Toremifeno é aprovado apenas cânceres de mama avançados, desde que o paciente não tenha sido tratado anteriormente com Tamoxifeno.

Degradadores de receptores de estrogênio

Este tipo de medicamento também impede a ação dos hormônios nas células mamárias ao conectarem-se com os receptores de estrogênio. 

Contudo, ao invés de bloquear a ligação do hormônio, destrói os receptores, por isso, os medicamentos são chamados de degradadores seletivos do receptor de estrogênio (SERDs).

Medicações com esta função são mais recomendadas para pacientes que já passaram pela menopausa, já que pode afetar os ovários.

Tanto o fulvestranto quanto o elacestrante são utilizados em cânceres de mama avançados.

O primeiro é administrado via injeção intramuscular em pacientes que já realizaram medicação com SERMs ou que ainda não foram tratados com outra terapia hormonal.

Já o segundo é administrado via oral, em tumores que apresentam mutações genéticas, como R+ e HER2-(negativo).

Inibidores de estrogênio no paciente

Como o câncer de mama com receptor hormonal positivo cresce com o fornecimento de estrogênio, este tipo de medicamento reduz os níveis do hormônio no corpo.

Inibidores de aromatase, por exemplo, são medicamentos que agem dessa forma no organismo.

A medicação é utilizada em mulheres que já passaram pela menopausa ou outros tratamentos, que possuem uma baixa produção do hormônio pelos ovários. 

Portanto, o medicamento age na enzima aromatase, localizada no tecido adiposo, que possui o potencial de produzir o hormônio, porém, em baixa quantidade.

Desativação ou remoção dos ovários

A ablação ovariana é um tratamento que consiste em desativar os ovários, que são os principais responsáveis pela produção de estrogênio e progesterona.

Medicamentos análogos de LHRH (receptores do hormônio liberador do hormônio luteinizante), como goserelina e leuprolide, bloqueiam os sinais que comandam a produção de estrogênio pelo órgão.

Outra forma de impedir a produção do hormônio é com a remoção dos ovários, em uma cirurgia que se chama ooforectomia. 

Conheça o Dr. Felipe Andrade

Dr. Felipe Andrade médico mastologista do Hospital Einstein.

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da USP. 

O doutor é Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e Especialista em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Ele também é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e sócio-titular da Sociedade Brasileira de Mastologia. 

Com Doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês, seu foco de pesquisa é a qualidade do tratamento do câncer de mama. 

Além de sua atuação na Mastologia, também atua na área de ginecologia para oferecer uma assistência integral e especializada à saúde da mulher.

Atualmente, o Dr. Felipe  Andrade atua como Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e realiza seus atendimentos no Centro de Oncologia do hospital, na Unidade Jardins do Hospital Albert Einstein.

Além disso, atua em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, São Paulo SP.

Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.

O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.

Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.

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