Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.
Conteúdo revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista especializado no tratamento do câncer de mama e cuidados pós-operatórios.

Após a mastectomia é muito comum a colocação de um dreno cirúrgico para prevenir acúmulo de líquidos na região. Saber como usar e higienizar o dispositivo é muito importante para uma recuperação tranquila e sem complicações.
Após uma mastectomia, o uso de um dreno cirúrgico é fundamental para prevenir o acúmulo de líquidos e garantir uma recuperação segura e sem complicações.
Compreender os cuidados com o dreno pós-mastectomia é essencial para evitar infecções, favorecer a cicatrização e promover o bem-estar durante o pós-operatório.
Neste texto, elaborado com a supervisão do Dr. Felipe Andrade, mastologista especialista em câncer de mama, você vai entender como higienizar o dreno, quando esvaziá-lo, quais sinais exigem atenção e como retomar a rotina com tranquilidade após a cirurgia.
O que é o dreno e por que ele é usado?
O dreno cirúrgico é um tubo inserido na região operada que permite a saída de líquidos acumulados após a cirurgia. Ele previne seromas, hematomas e infecções, garantindo que a cicatrização ocorra corretamente.
Após a mastectomia, sobretudo quando há retirada de linfonodos da axila (esvaziamento axilar), o organismo tende a acumular líquido — seja sangue residual, linfa ou soro — na região operada.
Esse acúmulo pode levar a complicações como hematoma (acúmulo de sangue), seroma (acúmulo de líquido linfático ou soro) ou infecção.
Por isso, o dreno cirúrgico é inserido, para permitir que esse líquido seja escoado de forma controlada, evitando acúmulos e favorecendo a cicatrização.
Na prática, o dreno fica externo ao corpo, frequentemente preso à roupa ou a um local seguro, e a paciente recebe orientações para esvaziamento, registro do volume drenado, cuidados com a fixação e higiene.
Cuidados com dreno de mastectomia após a retirada das mamas
Fixação e posição correta
Mantenha o dreno abaixo da ferida para favorecer o escoamento do líquido e evitar refluxo. Também deve estar bem fixado à roupa ou à pele (com fita adesiva ou presilha), para evitar puxões acidentais ou deslocamentos.
Evite também roupas apertadas sobre o dreno, já que o tecido justo pode dificultar a drenagem, assim como cintos ou bolsas de ombro que possam prejudicar o escoamento ou causar desconforto.
Esvaziamento e registro do volume drenado
Esvazie a bolsa ou o reservatório do dreno conforme orientação médica, por exemplo: duas vezes ao dia, sendo uma de manhã e outra durante a tarde.
Registre o volume e aspecto do líquido, anotando cor e quantidade, isso ajuda a equipe médica a avaliar o progresso e decidir quando retirar o dreno.
Lembre-se também de observar alterações como sangue em excesso ou secreção amarelada, que podem indicar infecção. Se o líquido apresentar mudança de cor, sangue ou secreção purulenta, procure o seu médico.
Higiene e cuidados com a ferida
Antes de manipular o dreno ou esvaziar a bolsa, lave bem as mãos com água corrente e sabão. Troque curativos ou coberturas conforme orientações médicas, mantendo o local limpo e seco.
Mobilização e repouso do braço do lado operado
Quando for movimentar o braço ou o ombro do lado da cirurgia, faça movimentos leves para evitar rigidez, favorecer a amplitude de movimento e prevenir complicações como linfedema (acúmulo de líquido linfático nos tecidos, causando inchaço crônico).
Evitar esforços e carregar peso com o braço do lado operado, especialmente nos primeiros dias.
Na hora de dormir, opte por posições como de barriga para cima ou de lado com travesseiro apoiando o braço do lado da cirurgia, evitando deitar sobre o dreno ou o lado da região operada.
Sinais de alerta e quando procurar atendimento médico
Procure atendimento médico se houver:
- Drenagem abruptamente zerada ou muito aumentada;
- Bolsa de coleta enchendo de ar sozinha ou dreno soltando ar;
- Vermelhidão significativa ou inchaço na região da cirurgia, febre, calor local ou dor crescente;
- Secreção com mau cheiro ou pus;
- Deslocamento do dreno, desconforto acentuado no local de fixação ou vazamento de líquido.
De acordo com informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), pacientes submetidas ao esvaziamento axilar também precisam evitar injeções ou vacinas, assim como retirar sangue ou verificar pressão arterial no braço do lado da cirurgia.
Isso se deve ao fato do sistema linfático não funcionar com tanta eficiência no braço do lado operado.
Quanto tempo fica com o dreno pós-operatório de mastectomia?
O tempo de permanência do dreno varia conforme fatores como:
- Tipo de cirurgia realizada (se incluiu esvaziamento axilar ou não);
- Volume de líquido drenado;
- Prática da equipe cirúrgica;
- Recuperação da paciente.
Estudos indicam variabilidade de 3 a 14 dias ou até que o volume diário de drenagem atinja determinado valor (por exemplo, menos de 30 ml/24h) para remoção.
Portanto, não há um valor único para todas as pacientes, o critério mais importante é o volume e aspecto da drenagem e a avaliação médica.
Recuperação com dreno no pós-operatório de câncer de mama
É importante ver o dreno como parte de um conjunto de cuidados pós‑operatórios. Outros aspectos igualmente importantes incluem:
- Controle da dor (com analgésicos, anti‑inflamatórios) para facilitar mobilização precoce;
- Cuidados com a ferida operatória/cicatriz: manter limpa, não manipular, evitar “remédios caseiros”;
- Alimentação equilibrada e hidratação para favorecer a cicatrização e recuperação geral;
- Apoio psicológico: a recuperação emocional é tão importante quanto a física. A presença de dreno, cicatriz e imagem corporal alterada podem gerar ansiedade ou impacto na autoestima;
- Seguir programa de fisioterapia ou reabilitação com orientação profissional para evitar sequelas como linfedema, limitação de movimento ou dor crônica;
- Durante o banho: siga orientações do cirurgião/enfermeiro. Em muitos casos, o dreno permanece mesmo durante o banho, mas é importante manter o local seco logo após.
- Mantenha visitas de acompanhamento e entre em contato com a equipe se notar qualquer alteração inesperada.
FAQ: Perguntas frequentes sobre o dreno pós-operatório de mastectomia
É um tubo colocado na região operada para drenar líquidos como sangue e linfa, prevenindo seromas, hematomas e infecções.
O dreno evita acúmulo de líquidos na área da cirurgia, reduzindo complicações e favorecendo a cicatrização adequada.
Sim, leve desconforto é comum nos primeiros dias, mas dor intensa, vermelhidão ou secreção devem ser avaliados pelo mastologista.
Mantenha-o abaixo da ferida, bem preso à roupa ou pele, evitando puxões e roupas apertadas sobre a região.
Esvazie conforme orientação médica, geralmente duas vezes ao dia, anotando volume e aspecto do líquido.
Lave as mãos antes de tocar no dreno, mantenha o local limpo e seco, e troque curativos conforme orientação.
Sim, faça movimentos leves para evitar rigidez e linfedema, evitando esforços e peso, principalmente, nos primeiros dias.
Procure o médico se houver drenagem anormal, vermelhidão, febre, inchaço, pus, mau cheiro, deslocamento do dreno, dor ou desconforto intenso.
Varia de paciente para paciente, mas de acordo com estudos, o dreno fica em média de 3 a 14 dias, conforme avaliação médica.
Controle da dor, cuidados com a ferida, alimentação adequada, hidratação, fisioterapia e apoio psicológico são essenciais.
Sim, na maioria dos casos, mas mantenha o local seco logo após e siga as orientações do seu médico.
Evite injeções, vacinas, coletas de sangue ou pressão arterial no braço operado, especialmente se houver esvaziamento axilar.
Conclusão: dreno após mastectomia é essencial, mas exige cuidados
O dreno após a mastectomia é uma ferramenta essencial para evitar complicações como seroma ou hematoma e favorecer a cicatrização adequada. No entanto, seu uso exige cuidados específicos que a paciente — com apoio médico — deve conhecer e colocar em prática.
A observação da drenagem, o esvaziamento, a higienização, a fixação, a mobilização adequada do braço e a observação de sinais de alerta são itens que fazem grande diferença no resultado final da recuperação.
Seguir essas orientações com responsabilidade ajuda a reduzir riscos, promover uma recuperação mais tranquila e, especialmente, permitir que a paciente retome sua vida com mais segurança.
Se houver dúvidas ou situações que fogem ao esperado, buscar contato imediato com o seu mastologista é fundamental.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação individualizada com o mastologista.

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da USP.
O doutor é Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e Especialista em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Ele também é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e sócio-titular da Sociedade Brasileira de Mastologia.
Com Doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês, seu foco de pesquisa é a qualidade do tratamento do câncer de mama.
Além de sua atuação na Mastologia, também atua na área de Ginecologia para oferecer uma assistência integral e especializada à saúde da mulher.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e realiza seus atendimentos no Centro de Oncologia do hospital e na Unidade Jardins do Einstein Hospital Israelita.
Além disso, atua em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, São Paulo SP.Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.



