Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.
Covinhas na mama nem sempre indicam câncer, mas ignorar essa alteração pode custar um diagnóstico precoce
Você levantou os braços diante do espelho e percebeu um pequeno afundamento na pele da mama.
Algo que não estava ali antes ou que você nunca havia notado.
A preocupação vem de imediato: será que covinhas na mama representam um sinal de câncer?
A resposta é direta: nem toda covinha na mama significa malignidade, mas toda covinha recente merece investigação.
Esse tipo de alteração pode ter causas completamente benignas; no entanto, em alguns cenários, também pode representar o primeiro sinal visível de um tumor mamário.
Neste artigo, você vai entender o que pode causar uma covinha na mama, quais sinais devem acender o alerta e quando procurar um mastologista para uma avaliação detalhada.
Covinha na mama é câncer?
Essa é a pergunta que mais leva mulheres a buscarem informação sobre alterações na pele da mama e a resposta exige contexto.
A covinha, por si só, não confirma um diagnóstico de câncer.
No entanto, quando surge de forma recente e progressiva, ela pode indicar que algo no interior da mama está tracionando a pele e, um tumor, é uma das possibilidades.
O que diferencia uma covinha benigna de um sinal suspeito é o conjunto de fatores ao redor dela.
Dessa forma, o caminho mais seguro é sempre investigar.
Somente o mastologista, com apoio de exames de imagem como mamografia e ultrassom, consegue determinar a causa da alteração e orientar a conduta adequada para cada caso.
Em resumo: covinha na mama nem sempre é câncer, mas toda covinha recente merece atenção médica.
O que significa uma covinha ou afundamento na pele da mama?
A covinha na mama é uma depressão visível na superfície cutânea, semelhante a um pequeno buraco ou retração. Ela pode aparecer de forma espontânea ou tornar-se evidente ao movimentar os braços.
Como a pele da mama é formada?
A mama é formada por tecido glandular, gordura e tecido conjuntivo.
A pele que recobre essa estrutura está conectada ao tecido profundo pelos ligamentos de Cooper, finas faixas fibrosas que funcionam como “cabos de sustentação” entre a pele e a parede torácica.
Pense nesses ligamentos como elásticos que mantêm a mama firme e com contorno regular.
Quando algo puxa ou encurta esses elásticos, seja um tumor, uma cicatriz ou uma fibrose, a pele é tracionada para dentro e gera o aspecto de “covinha”.
Ligamentos que sustentam a mama
O cirurgião britânico Sir Astley Cooper descreveu esses ligamentos em 1840.
São septos fibrosos que conectam a fáscia mamária à pele, atravessando todo o tecido da mama.
Qualquer processo que comprometa a integridade dessas estruturas pode resultar em retração da pele da mama ou em irregularidades visíveis na superfície.
Por que pequenas irregularidades podem surgir?
Com o envelhecimento, os ligamentos de Cooper se esticam naturalmente, o que contribui para a ptose (queda) mamária.
Oscilações de peso, amamentação e procedimentos cirúrgicos anteriores também alteram a textura da pele.
Por isso, nem toda pele irregular na mama representa risco.
O que diferencia uma variação anatômica de um sinal de alerta é o contexto clínico e é justamente nesse ponto que o mastologista entra com a avaliação especializada.
Causas benignas de covinha na mama
Várias condições benignas podem gerar uma depressão na mama ou na região próxima ao mamilo.
Reconhecê-las ajuda a reduzir a ansiedade, sem dispensar a avaliação médica.
Variações naturais da anatomia
Algumas mulheres apresentam pequenas assimetrias ou irregularidades na pele das mamas desde a adolescência.
Essa característica anatômica, quando permanece estável ao longo do tempo, costuma ser benigna e não exige tratamento.
Alterações após perda de peso
A redução significativa de gordura corporal pode diminuir o volume mamário de forma desigual e deixar a pele menos preenchida em determinadas áreas.
Isso cria a impressão de afundamento na mama sem que exista qualquer lesão subjacente.
Cicatrizes internas ou fibrose
Procedimentos cirúrgicos prévios, biópsias ou traumas na região mamária podem gerar tecido cicatricial.
A esteatonecrose (necrose gordurosa) é um exemplo clássico: o tecido adiposo da mama sofre lesão, forma um nódulo endurecido e pode tracionar a pele, gerando uma covinha.
Segundo a Cleveland Clinic, a esteatonecrose é benigna e pode mimetizar achados de câncer nos exames de imagem, o que reforça a importância de uma investigação completa.
Alterações hormonais
Flutuações hormonais ao longo do ciclo menstrual, da gestação ou da menopausa podem provocar mudanças na textura do tecido mamário.
Em alguns casos, essas alterações geram áreas de fibrose que modificam temporariamente o contorno da mama.
Quando a covinha na mama pode indicar câncer?
Aqui está o ponto que muitos conteúdos não detalham.
Quando um tumor cresce no interior da mama, ele pode invadir ou tracionar os ligamentos de Cooper. Essa tração puxa a pele para dentro e cria a depressão cutânea visível, a covinha.
Segundo a American Cancer Society, a retração da pele da mama (skin dimpling) figura entre ossinais na pele da mama que podem indicar câncer, junto à vermelhidão, descamação e espessamento cutâneo.
Fibrose causada por tumor
Tumores malignos da mama frequentemente produzem uma reação fibrótica ao seu redor.
Como resultado, essa fibrose encurta os tecidos conectivos e puxa a pele na direção do tumor, gerando a depressão cutânea na mama.
Tração dos ligamentos mamários
Conforme o tumor invade os ligamentos de Cooper, a pele perde sua mobilidade natural.
Na prática clínica, a covinha costuma ficar mais evidente quando a paciente levanta os braços acima da cabeça; assim, essa manobra simples pode revelar retrações que permanecem invisíveis em repouso.
Associação com nódulo ou endurecimento
Quando a covinha aparece acompanhada de um nódulo palpável, endurecimento localizado ou fixação da massa na pele, a suspeita de malignidade aumenta.
Nem todo câncer de mama forma nódulos perceptíveis ao toque e é por isso que a investigação por imagem se torna indispensável.
Sinais de alerta associados à alteração na pele da mama
Além da covinha isolada, outros achados devem ser observados em conjunto. A presença de múltiplos sinais simultâneos eleva a necessidade de avaliação especializada.
Alteração recente na pele da mama
Se a pele repuxada na mama surgiu de forma progressiva nas últimas semanas ou meses, a atenção deve ser redobrada. Alterações estáveis, presentes há anos, têm menor probabilidade de representar malignidade.
Covinha associada a nódulo
A combinação de covinha perto do mamilo ou em outra região da mama com a presença de um nódulo endurecido e fixo exige investigação imediata.
Alterações no mamilo
Retração recente do mamilo, secreção espontânea (principalmente com sangue) e descamação persistente da aréola são sinais que, associados à covinha, reforçam a necessidade de exames complementares.
Vermelhidão ou espessamento da pele
A pele com aspecto de “casca de laranja” (peau d’orange), vermelhidão difusa e calor local pode indicar o câncer de mama inflamatório, uma forma rara e agressiva da doença.
Segundo o National Cancer Institute (NCI), esse tipo corresponde a cerca de 1% a 5% dos casos de câncer de mama.
Exames utilizados na investigação de covinhas na mama
A investigação de uma alteração na pele da mama segue um protocolo que combina exame clínico e exames de imagem.
A escolha dos métodos depende da idade da paciente, da densidade mamária e da suspeita clínica.
Mamografia (indicada a partir dos 40 anos)
A mamografia é o principal exame de rastreamento para o câncer de mama. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Febrasgo recomendam a mamografia anual a partir dos 40 anos de idade.
Ultrassom das mamas
O ultrassom complementa a mamografia e se mostra especialmente útil em mulheres com mamas densas. Ele permite avaliar a consistência de nódulos e diferenciar lesões sólidas de císticas.
Ressonância magnética em situações específicas
O mastologista reserva a ressonância magnética das mamas para situações específicas: pacientes de alto risco, mamas muito densas ou quando os demais exames não foram conclusivos.
Biópsia quando há suspeita clínica
Se os exames de imagem revelarem lesões suspeitas (classificadas como BI-RADS® 4 ou 5), a biópsia é o próximo passo. É ela que confirma ou descarta a presença de células malignas e define a conduta terapêutica.
Como o mastologista avalia alterações na pele da mama?
Na consulta, o primeiro passo é uma avaliação clínica detalhada.
Durante esse exame, o mastologista observa as mamas em diferentes posições, palpa toda a região mamária e axilar e verifica se há retrações, nódulos ou assimetrias.
Na prática, é comum receber pacientes que notaram uma covinha ao vestir uma roupa ou ao se olhar no espelho, sem qualquer outro sintoma.
Ainda assim, mesmo nesses casos, a correlação entre o exame físico e os exames de imagem é o que define se a alteração requer acompanhamento periódico ou investigação mais aprofundada.
Por essa razão, o acompanhamento individualizado garante segurança. Afinal, cada paciente tem um perfil de risco, uma história clínica e uma anatomia mamária única e a conduta precisa respeitar essas particularidades.
Quando procurar avaliação médica?
Se você notou qualquer alteração na pele da mama que não existia antes, a orientação é clara: procure um mastologista.
Busque avaliação especialmente se:
- A covinha surgiu de forma recente e progressiva;
- Há presença de nódulo, dor ou endurecimento associado;
- Você percebe alterações no mamilo, como retração ou secreção;
- A pele apresenta vermelhidão, espessamento ou aspecto de casca de laranja;
- A alteração persiste ao longo de semanas, sem melhora.
A detecção precoce segue sendo o fator que mais impacta o prognóstico do câncer de mama. Não espere os sintomas se multiplicarem para agendar uma consulta.
Cuidado mastológico completo na CLÍNICA FEMA e no Einstein Hospital Israelita

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.
Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
Se você notou qualquer mudança na pele das mamas, agende uma consulta com seu mastologista.
A investigação precoce é o melhor caminho para cuidar da sua saúde com segurança.
Perguntas frequentes sobre covinhas na mama
Não. A covinha pode ter causas benignas, como esteatonecrose, cicatrizes internas ou variações anatômicas. No entanto, como também pode sinalizar um tumor mamário, o mastologista deve avaliar qualquer retração recente na pele.
A gravidade depende do contexto. Em geral, covinhas que surgiram há pouco tempo, que se tornam mais evidentes ao levantar os braços ou que aparecem acompanhadas de nódulo, vermelhidão ou secreção no mamilo exigem investigação com exames de imagem e, se necessário, biópsia.
A mamografia é o exame inicial mais indicado para mulheres a partir dos 40 anos. O ultrassom complementa a avaliação, e o mastologista pode solicitar ressonância magnética em casos específicos. A biópsia confirma ou descarta malignidade quando existe suspeita.
A localização da covinha, isoladamente, não determina a gravidade. O que importa é se a alteração é recente, se existem outros sinais associados e como o tecido mamário se apresenta nos exames de imagem. O mastologista faz essa correlação.
Alterações estáveis e presentes há longo tempo costumam ter menor risco. Ainda assim, manter o acompanhamento mastológico regular e a mamografia anual a partir dos 40 anos é a melhor forma de garantir que tudo segue dentro do esperado.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.




