Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.
Embora raro, o câncer de mama masculino exige atenção: diagnóstico tardio compromete o prognóstico e aumenta a taxa de mortalidade em homens.
Embora seja predominantemente associado às mulheres, o câncer de mama também acomete homens. A incidência na população masculina é rara, mas a doença merece atenção e conscientização.
Contudo, essa raridade não diminui a gravidade da condição, especialmente quando o diagnóstico ocorre tardiamente.
A falta de informação e o tabu em torno da saúde masculina contribuem para que muitos homens não reconheçam os sinais da doença.
Por isso, é fundamental compreender como o câncer de mama se manifesta em homens, quais são os principais fatores de risco e como o diagnóstico precoce pode salvar vidas.
O que é câncer de mama em homens?
O câncer de mama masculino ocorre quando células anormais do tecido mamário se multiplicam de forma desordenada, formando tumores malignos.
Diferentemente do que muitos imaginam, homens também possuem glândulas mamárias, embora em quantidade significativamente menor que as mulheres. Portanto, eles podem desenvolver a doença, ainda que com incidência bem mais baixa.
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2020 foram registrados 207 óbitos de homens por câncer de mama no Brasil.
Esses números reforçam a necessidade de conscientização, pois muitos casos poderiam ter melhor prognóstico com detecção precoce.
O câncer de mama pode dar em homens assim como em mulheres.
Além disso, a maioria dos casos é diagnosticada em homens com mais de 60 anos de idade.
De acordo com a American Cancer Society, o risco de um homem desenvolver câncer de mama ao longo da vida é de aproximadamente 1 em 726.
Sintomas do câncer de mama em homens
Os sintomas do câncer de mama em homens são semelhantes aos observados nas mulheres, porém frequentemente passam despercebidos. Portanto, é essencial que homens conheçam os sinais de alerta para buscar avaliação médica imediatamente.
Principais sintomas incluem:
- Nódulo palpável: presença de caroço endurecido e geralmente indolor na mama ou na região da axila;
- Alterações na pele: vermelhidão, retração ou aspecto enrugado na pele da mama, semelhante à casca de laranja;
- Mudanças no mamilo: retração, inversão do mamilo ou alteração em sua forma;
- Secreção papilar: saída de líquido pelo mamilo, que pode variar de transparente a sanguinolento;
- Inchaço localizado: aumento de volume em uma das mamas ou na região próxima;
- Linfonodos aumentados: presença de gânglios palpáveis na axila ou próximo à clavícula.
Vale ressaltar que, diferentemente da ginecomastia (crescimento benigno do tecido mamário masculino), o câncer de mama geralmente se manifesta de forma unilateral.
Além disso, conforme explicado no artigo Câncer de mama: saiba os fatores de riscos, sintomas e tratamentos”, os nódulos cancerígenos tendem a ser mais duros e fixos aos tecidos adjacentes.
Qual a porcentagem de câncer de mama em homens?
O câncer de mama em homens existe, mas é raro.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a incidência masculina representa cerca de 1% do total de casos da doença, ou seja, para cada 99 mulheres diagnosticadas, apenas um homem recebe o mesmo diagnóstico.
Essa proporção reduzida tem uma consequência direta: como não existem protocolos estabelecidos de rastreamento para homens, boa parte dos diagnósticos acontece em estágios mais avançados.
Sem mamografia de rotina ou outro exame sistemático, a detecção depende, na maioria das vezes, da percepção de alguma alteração pelo próprio paciente.
O resultado é um cenário que exige atenção redobrada: qualquer nódulo, retração de pele ou alteração no mamilo deve ser avaliado por um mastologista, independentemente do sexo.
O que causa câncer de mama em homens?
As causas do câncer de mama em homens estão relacionadas a fatores genéticos, hormonais e ambientais. Portanto, compreender esses elementos é fundamental para identificar grupos de maior risco.
Principais fatores de risco:
- Idade avançada: A doença é mais frequente em homens de idade avançada, sendo o diagnóstico mais comum na terceira idade.
- Mutações genéticas hereditárias: alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam significativamente o risco. Homens portadores de mutação no gene BRCA2 possuem risco substancialmente elevado, enquanto alterações no BRCA1 também conferem maior predisposição.
- Síndrome de Klinefelter: essa condição genética, caracterizada pela presença de um cromossomo X extra, ocorre em cerca de 1 a cada 500 a 1.000 homens nascidos. Segundo estudo de coorte publicado no Journal of the National Cancer Institute, indivíduos com essa síndrome apresentam risco significativamente elevado de desenvolver câncer de mama em comparação à população masculina geral.
- Histórico familiar: homens com parentes próximos (mãe, irmã, filha) diagnosticados com câncer de mama ou ovário possuem risco aumentado. Cerca de 20% dos homens com câncer de mama têm histórico familiar da doença.
- Obesidade e sedentarismo: o excesso de peso favorece a conversão de hormônios masculinos em estrogênio, aumentando o risco de desenvolvimento da doença.
- Consumo excessivo de álcool: o etilismo crônico pode afetar o fígado, órgão responsável pela metabolização hormonal, levando ao aumento de estrogênio no organismo.
- Exposição à radiação: homens que já realizaram radioterapia na região torácica para tratamento de outras doenças, como linfoma, apresentam risco elevado.
- Doenças hepáticas: condições como cirrose podem alterar o equilíbrio hormonal, favorecendo o acúmulo de estrogênio.
Câncer de mama em homens e ginecomastia: qual a diferença?
É fundamental diferenciar o câncer de mama da ginecomastia, condição benigna caracterizada pelo crescimento do tecido mamário masculino.
Embora ambas provoquem aumento das mamas, suas causas e implicações são completamente distintas.
Características da ginecomastia:
- Crescimento benigno do tecido mamário;
- Geralmente bilateral (afeta ambas as mamas);
- Consistência elástica e distribuição concêntrica ao redor do mamilo;
- Não representa risco à vida;
- Causada por desequilíbrio hormonal, uso de medicamentos ou condições fisiológicas.
Características do câncer de mama masculino:
- Presença de nódulo duro e fixo;
- Geralmente unilateral (afeta apenas uma mama);
- Pode causar retração da pele e alterações no mamilo;
- Potencialmente letal se não tratado adequadamente;
- Causado por multiplicação desordenada de células anormais.
Vale destacar que a ginecomastia não aumenta diretamente o risco de câncer de mama. Contudo, homens com essa condição devem realizar acompanhamento médico regular para monitoramento.
Como detectar câncer de mama em homens?
A detecção precoce do câncer de mama em homens é desafiadora devido à ausência de protocolos de rastreamento específicos para a população masculina. Portanto, o autoconhecimento corporal e a atenção a alterações nas mamas são essenciais.
Métodos de detecção:
- Auto Conhecimento das Mamas: homens devem estar atentos a qualquer alteração nas mamas, incluindo nódulos, mudanças na pele ou secreção pelo mamilo. Qualquer sintoma suspeito deve ser avaliado por um mastologista.
- Exame clínico: o médico realiza palpação das mamas e axilas, buscando nódulos ou linfonodos aumentados.
- Mamografia: exame de imagem capaz de identificar alterações não palpáveis. Embora seja amplamente utilizado em mulheres, também é eficaz em homens quando há suspeita clínica.
- Ultrassonografia: complementa a mamografia, auxiliando na diferenciação entre lesões sólidas e císticas.
- Biópsia: quando há achado suspeito nos exames de imagem, realiza-se biópsia para confirmação diagnóstica e caracterização do tumor.
É importante ressaltar que homens com mutações genéticas BRCA1 ou BRCA2 devem iniciar o rastreamento aos 50 anos ou 10 anos antes da idade do caso mais jovem da família.
Como diagnosticar câncer de mama em homens?
O diagnóstico do câncer de mama em homens segue protocolo semelhante ao utilizado em mulheres. Contudo, devido à raridade da doença na população masculina, muitos casos são identificados tardiamente.
Etapas do diagnóstico:
- Anamnese e exame físico: o mastologista avalia a história clínica, fatores de risco e realiza exame físico detalhado das mamas e axilas.
- Exames de imagem: mamografia e ultrassonografia são solicitadas para caracterização da lesão.
- Biópsia: procedimento essencial para confirmação diagnóstica. O material coletado é analisado para determinar o tipo de tumor, grau de agressividade e presença de receptores hormonais.
- Estadiamento: após confirmação diagnóstica, realizam-se exames adicionais para avaliar a extensão da doença, incluindo tomografia, ressonância magnética ou cintilografia óssea.
O Dr. Felipe Andrade, mastologista titular do Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita, enfatiza a importância do diagnóstico precoce para melhores resultados terapêuticos. Em sua atuação na Clínica FEMA, o especialista oferece atendimento integral e personalizado para cada paciente.
Como é o câncer de mama em homens?
O câncer de mama em homens apresenta características histopatológicas semelhantes aos tumores femininos.
A maioria dos casos corresponde ao carcinoma ductal invasivo, representando cerca de 80% dos diagnósticos, segundo o Ministério da Saúde.
Tipos de câncer de mama masculino:
- Carcinoma ductal in situ: células cancerígenas formam-se nos ductos mamários, mas não invadem tecidos adjacentes.
- Carcinoma ductal invasivo: o tipo mais comum, caracterizado pela invasão da parede ductal e disseminação para outros tecidos.
- Carcinoma lobular invasivo: raro em homens, origina-se nos lóbulos mamários.
- Doença de Paget: inicia-se nos ductos e afeta o mamilo, causando crostas, descamação e vermelhidão.
- Câncer inflamatório: extremamente raro, caracteriza-se por inflamação intensa, vermelhidão e inchaço da mama.
A maioria dos tumores masculinos apresenta receptores hormonais positivos, ou seja, são sensíveis ao estrogênio e progesterona.
Portanto, respondem bem à terapia hormonal, assim como descrito no artigo sobre tratamentos disponibilizados pela Clínica FEMA.
Prevenção do câncer de mama em homens
Embora não seja possível eliminar completamente o risco de desenvolver câncer de mama, algumas medidas podem reduzir significativamente as chances da doença.
Estratégias de prevenção:
- Manutenção do peso saudável: evitar a obesidade reduz a conversão de andrógenos em estrogênio, diminuindo o estímulo ao crescimento de células mamárias.
- Atividade física regular: a prática de exercícios contribui para o equilíbrio hormonal e fortalecimento do sistema imunológico.
- Redução do consumo de álcool: limitar a ingestão de bebidas alcoólicas protege o fígado e mantém o equilíbrio hormonal adequado.
- Evitar exposição a substâncias tóxicas: reduzir o contato com agrotóxicos, solventes e outros agentes químicos nocivos.
- Avaliação genética: homens com histórico familiar significativo devem considerar testes genéticos para identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.
Acompanhamento médico: consultas regulares com mastologista permitem detecção precoce de alterações suspeitas.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama de caráter hereditário corresponde a apenas 5% a 10% do total de casos. Portanto, a adoção de hábitos saudáveis desempenha papel fundamental na prevenção.
Tratamento do câncer de mama em homens
O tratamento do câncer de mama masculino é multidisciplinar e individualizado, baseando-se nas características do tumor, estadiamento da doença e condições clínicas do paciente.
Modalidades terapêuticas
Cirurgia: diferentemente das mulheres, a maioria dos homens é submetida à mastectomia total, com remoção completa da mama, incluindo mamilo e aréola.
Isso ocorre porque o tecido mamário masculino é pequeno e os tumores geralmente localizam-se centralmente. Durante o procedimento, também se realiza avaliação dos linfonodos axilares.
Para pacientes que desejam saber mais sobre os cuidados pós-operatórios, recomendamos a leitura do artigo:
Radioterapia: indicada após a cirurgia para eliminar possíveis células tumorais residuais e reduzir o risco de recidiva local.
Quimioterapia: utilizada em casos de tumores mais agressivos, com comprometimento linfonodal ou risco elevado de metástase.
O tratamento pode ser realizado antes (neoadjuvante) ou após (adjuvante) a cirurgia.
Para compreender melhor as modalidades disponíveis, pacientes interessados podem consultar o artigo:
Hormonioterapia: Como a maioria dos tumores masculinos apresenta receptores hormonais positivos, medicamentos antiestrogênicos são amplamente utilizados. O tamoxifeno é o fármaco mais prescrito, bloqueando a ação do estrogênio nas células mamárias.
Imunoterapia: em casos de tumores HER2 positivos, terapias-alvo específicas podem ser indicadas.
O prognóstico do câncer de mama em homens é semelhante ao das mulheres quando diagnosticado no mesmo estágio.
Contudo, devido ao diagnóstico frequentemente tardio, as taxas de sobrevida tendem a ser menores na população masculina.
Linfonodos e câncer de mama em homens
A avaliação dos linfonodos é etapa fundamental no estadiamento e tratamento do câncer de mama masculino. Quando células cancerígenas se disseminam, frequentemente atingem os linfonodos axilares primeiro.
Durante a cirurgia, o cirurgião avalia os gânglios linfáticos por meio da biópsia do linfonodo sentinela ou linfadenectomia axilar. O resultado dessa avaliação influencia diretamente nas decisões terapêuticas subsequentes.
Para compreender melhor essa etapa do tratamento, recomendamos a leitura dos artigos:
- Linfadenectomia: entenda os riscos e benefícios da remoção dos linfonodos
- Linfonodos aumentados: relação com infecções, inflamações e câncer de mama.
Imagens do câncer de mama em homens
Embora existam imagens disponíveis na literatura médica mostrando manifestações do câncer de mama masculino, é fundamental ressaltar que o diagnóstico definitivo não pode ser estabelecido apenas por observação visual.
Qualquer alteração suspeita nas mamas deve ser avaliada por mastologista por meio de exame físico e exames complementares.
Fotos na internet não substituem a avaliação médica especializada. Busque um mastologista!
A importância do Dr. Felipe Andrade no tratamento do câncer de mama

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.
Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
FAQ – Perguntas frequentes sobre câncer de mama em homens
Sim, homens podem ter câncer de mama. Embora seja raro, representando apenas 1% de todos os casos da doença, homens possuem tecido mamário e podem desenvolver tumores malignos nessa região. O diagnóstico frequentemente ocorre em homens acima de 60 anos, sendo essencial a atenção a sintomas como nódulos palpáveis ou alterações na pele das mamas.
A ginecomastia é uma condição benigna caracterizada pelo crescimento do tecido mamário masculino devido a desequilíbrio hormonal. Geralmente é bilateral e apresenta consistência elástica. Já o câncer de mama é uma doença maligna, geralmente unilateral, caracterizada por nódulos duros e fixos que podem causar retração da pele e alterações no mamilo. A ginecomastia não aumenta o risco de câncer de mama.
Os principais sintomas incluem nódulo palpável na mama ou axila, alterações na pele (vermelhidão ou retração), mudanças no mamilo (inversão ou retração), secreção pelo mamilo (que pode conter sangue), inchaço localizado em uma das mamas e presença de linfonodos aumentados na axila. Qualquer desses sintomas deve ser avaliado imediatamente por um mastologista.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada (acima de 60 anos), mutações genéticas hereditárias (especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2), síndrome de Klinefelter, histórico familiar de câncer de mama ou ovário, obesidade, consumo excessivo de álcool, exposição prévia à radiação torácica e doenças hepáticas que afetam o metabolismo hormonal.
O tratamento é multidisciplinar e individualizado. Na maioria dos casos, realiza-se mastectomia total (remoção completa da mama), seguida de radioterapia para eliminar células residuais. Dependendo das características do tumor, pode-se indicar quimioterapia e hormonioterapia. Como a maioria dos tumores masculinos apresenta receptores hormonais positivos, o tamoxifeno é frequentemente utilizado. O prognóstico depende do estágio de diagnóstico, reforçando a importância da detecção precoce.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.




