Mulher apalpando a mama com as mãos, pressionando a região inferior e superior do seio, ilustrando atenção a alterações como dor, inchaço e sinais associados ao câncer de mama inflamatório.

Câncer de mama inflamatório: forma rara e agressiva que exige atenção imediata

Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher. 

Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

Mulher apalpando a mama com as mãos, pressionando a região inferior e superior do seio, ilustrando atenção a alterações como dor, inchaço e sinais associados ao câncer de mama inflamatório.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.

O câncer de mama inflamatório é raro, agressivo e pode ser confundido com infecções comuns. Reconhecer seus sinais precocemente amplia as possibilidades terapêuticas!

O câncer de mama inflamatório é um subtipo raro e agressivo que se diferencia dos demais tumores mamários pela forma como se manifesta. 

Em vez de formar um nódulo palpável, as células cancerígenas invadem os vasos linfáticos da pele da mama, provocando sinais que lembram uma inflamação, como vermelhidão, inchaço e aumento de temperatura local.

De acordo com o National Cancer Institute (NCI), o câncer de mama inflamatório corresponde a algo entre 1% e 5% de todos os diagnósticos de câncer de mama. 

Trata-se de uma forma rara e de crescimento acelerado, o que torna o reconhecimento precoce dos sinais e o acompanhamento médico especializado ainda mais relevantes.

Confira a seguir o que caracteriza o câncer de mama inflamatório, quais são os principais sinais de alerta, como o diagnóstico é realizado e quais terapias compõem o protocolo de tratamento.

O que é câncer de mama inflamatório?

O câncer inflamatório de mama é um tipo de carcinoma ductal invasivo.

Suas células cancerígenas se alojam nos vasos linfáticos dérmicos da mama e bloqueiam a drenagem natural do líquido linfático. Como resultado, a mama apresenta edema difuso, vermelhidão e mudanças na textura da pele.

Diferentemente dos tipos mais comuns de câncer de mama, esse subtipo raramente forma um caroço ou nódulo delimitado.

Por essa razão, não costuma ser identificado pelo autoexame e pode passar despercebido nos estágios iniciais.

Outra particularidade é que o câncer de mama inflamatório tende a acometer mulheres mais jovens, inclusive abaixo dos 40 anos, e parece ser mais frequente em mulheres negras e em pacientes com obesidade, de acordo com a American Cancer Society.

Para entender melhor a origem e os mecanismos do câncer de mama, leia o material completo:

Como começa o câncer de mama? Primeiros sinais e quando procurar um médico.

Sintomas do câncer de mama inflamatório

Os sintomas do câncer de mama inflamatório surgem de forma repentina e progridem com rapidez, geralmente em semanas ou poucos meses.

Essa velocidade é uma das razões pelas quais a atenção a qualquer mudança súbita nas mamas se torna tão relevante.

Sinais clínicos mais característicos

O sintoma mais marcante é a vermelhidão persistente, que acomete ao menos um terço da mama. 

Essa vermelhidão não melhora com antibióticos ou tratamentos tópicos comuns.

A pele pode adquirir uma textura semelhante à casca de laranja (chamada de peau d’orange), resultado direto da obstrução linfática e do acúmulo de líquido.

Além da vermelhidão, outros sinais merecem atenção:

  • Inchaço rápido e aumento perceptível do volume mamário, que pode ocorrer em poucos dias;
  • Sensação de calor ou aquecimento na mama afetada, facilmente confundida com processos infecciosos;
  • Dor, sensibilidade ou coceira persistente na região;
  • Endurecimento difuso do tecido mamário, sem a presença de nódulo bem delimitado;
  • Retração ou inversão recente do mamilo;
  • Linfonodos palpáveis nas axilas ou na região acima da clavícula.

Para conhecer outros sinais de alerta, leia:
Sintomas de câncer de mama: 3 iniciais e os 5 mais avançados.

Câncer de mama inflamatório dói?

Sim, é possível sentir dor ou desconforto significativo. A mama pode ficar pesada, sensível ao toque e apresentar uma sensação de pressão interna

Contudo, nem todas as pacientes relatam dor intensa, em alguns casos, o principal incômodo é a coceira ou a sensação de calor.

A presença ou ausência de dor, isoladamente, não confirma nem descarta o diagnóstico. O mais importante é observar o conjunto de alterações e procurar um mastologista sempre que houver mudanças persistentes.

Diferença entre câncer de mama inflamatório e mastite

Muitas pacientes recebem, inicialmente, um diagnóstico de mastite ou outra infecção mamária. Os sintomas de vermelhidão, calor e inchaço se sobrepõem nas duas condições.

A diferença está na evolução: quando antibióticos são prescritos e a paciente não apresenta melhora após 7 a 10 dias, a suspeita de câncer de mama inflamatório precisa ser investigada com urgência. 

A persistência dos sintomas após o tratamento convencional é um sinal de alerta que exige exames complementares imediatos.

Diagnóstico do câncer de mama inflamatório

O diagnóstico do câncer de mama inflamatório combina avaliação clínica detalhada, exames de imagem e confirmação por biópsia. Como os sinais podem mimetizar infecções, a suspeita clínica constitui o primeiro passo para a investigação adequada.

Exames de imagem

A mamografia permanece como exame fundamental de rastreamento, embora o câncer de mama inflamatório nem sempre forme nódulos típicos. 

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Febrasgo recomendam a mamografia anual a partir dos 40 anos para todas as mulheres, conforme parecer técnico conjunto das entidades.

A ultrassonografia mamária auxilia na avaliação de áreas densas e na identificação de linfonodos axilares comprometidos. Já a ressonância magnética das mamas pode ser solicitada para melhor estadiamento e planejamento cirúrgico. 

Exames como tomografia computadorizada ou PET-CT complementam a investigação quando há suspeita de disseminação à distância.

Para entender melhor a classificação dos achados mamográficos, confira:
BI-RADS®: entenda o exame que aponta o risco de câncer.

Biópsia e análise histopatológica

A confirmação do diagnóstico ocorre por meio da biópsia, que analisa amostras do tecido mamário e da pele.

O exame busca identificar a presença de células cancerígenas nos vasos linfáticos dérmicos, achado que define o câncer de mama inflamatório.

O laudo histopatológico fornece informações que orientam o plano terapêutico, como:

  • Grau histológico do tumor (graduação de 1 a 3, sendo 3 o mais agressivo);
  • Status dos receptores hormonais — Estrogênio (RE) e Progesterona (RP);
  • Expressão do receptor HER2 (receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano);
  • Marcador de proliferação celular (Ki-67), que indica a velocidade de crescimento tumoral.

Para informações sobre os diversos subtipos, acesse:

Tipos de câncer de mama: quais são, como se manifestam e quando suspeitar.

Câncer de mama inflamatório estágio 3: o que significa?

Por conta de suas características clínicas, o câncer de mama inflamatório recebe, no mínimo, a classificação de estágio III (IIIB ou IIIC) no momento do diagnóstico.

Isso ocorre porque as células cancerígenas já atingiram os vasos linfáticos da pele da mama quando os sinais se tornam visíveis.

O câncer de mama inflamatório grau 3 refere-se especificamente ao grau histológico, que avalia a diferenciação celular. Quanto maior o grau, maior a diferença entre as células tumorais em relação às células normais, o que indica mais agressividade e velocidade de crescimento.

Quando a doença já se disseminou para órgãos distantes, como ossos, pulmões ou fígado, ela passa a ser classificada como estágio IV.

O estadiamento correto é determinante para a escolha da abordagem terapêutica mais adequada.

Tratamento do câncer de mama inflamatório

O tratamento do câncer de mama inflamatório é multimodal, ou seja, combina diferentes abordagens para alcançar os melhores resultados. 

Conforme a American Cancer Society, o plano de tratamento do câncer de mama leva em conta o estágio da doença, o status dos receptores hormonais e HER2, a presença de mutações genéticas, a velocidade de crescimento do tumor e as condições gerais de saúde da paciente.

Quimioterapia neoadjuvante

O protocolo de tratamento geralmente se inicia com quimioterapia antes da cirurgia.

Essa estratégia, chamada neoadjuvante, tem como objetivos reduzir o volume tumoral, combater células cancerígenas circulantes e avaliar a resposta da doença aos medicamentos.

Os esquemas mais utilizados incluem antraciclinas e taxanos, administrados de forma sequencial. Em tumores HER2-positivos, a terapia-alvo com trastuzumabe (com ou sem pertuzumabe) é associada à quimioterapia. 

Para o subtipo triplo-negativo, a imunoterapia com pembrolizumabe pode ser adicionada ao esquema.

Cirurgia: mastectomia radical modificada

Se a quimioterapia neoadjuvante promover resposta favorável, o próximo passo é a cirurgia. O procedimento padrão para o câncer de mama inflamatório é a mastectomia radical modificada, com remoção completa da mama e dos linfonodos axilares.

A cirurgia conservadora não costuma ser recomendada para esse subtipo. A dissecção axilar (linfadenectomia) é necessária para estadiamento cirúrgico e controle local da doença.

Saiba mais sobre o procedimento em:
Mastectomia: quando é indicada e como a cirurgia é realizada?

Radioterapia e terapias complementares

Após a mastectomia, a radioterapia é indicada para eliminar possíveis células remanescentes na parede torácica e na região axilar. Conforme o perfil molecular do tumor, outras terapias podem ser necessárias:

  • Hormonioterapia para tumores com receptores hormonais positivos (RE+ ou RP+);
  • Terapia-alvo anti-HER2 em casos HER2-positivos;
  • Imunoterapia adjuvante em casos específicos, como tumores triplo-negativos tratados com pembrolizumabe antes da cirurgia.

Para entender melhor as terapias-alvo no câncer de mama, consulte:
Sobrevida no câncer de mama HER2-positivo: expectativa, tratamentos e fatores prognósticos.

Prognóstico e acompanhamento

O câncer de mama inflamatório é considerado um subtipo de maior agressividade. Contudo, os avanços em quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia vêm melhorando os resultados de forma significativa nos últimos anos.

O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento continuam sendo os fatores mais relevantes para um prognóstico favorável. 

Por isso, qualquer alteração persistente nas mamas, especialmente vermelhidão, inchaço ou mudanças na pele, precisa ser avaliada por um mastologista sem demora.

Após o tratamento, o acompanhamento periódico com exames de imagem e consultas regulares permite identificar sinais de recidiva de forma precoce.

Para mais informações sobre as chances de cura, leia:
Câncer de mama tem cura?

Quando procurar a Clínica FEMA?

Ao perceber qualquer alteração súbita nas mamas, vermelhidão que não melhora, inchaço rápido, pele com aparência de casca de laranja ou retração do mamilo, procure um mastologista imediatamente. 

Não aguarde a resolução espontânea dos sintomas nem atribua essas mudanças a processos infecciosos sem confirmação médica.

Na Clínica FEMA, o Dr. Felipe Andrade, mastologista com ampla experiência no diagnóstico e tratamento de todos os tipos de câncer de mama, oferece atendimento especializado e humanizado.

Conheça mais sobre o Dr. Felipe Andrade

Médico mastologista Dr. Felipe Andrade sorrindo, em retrato profissional com traje social.

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.

Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.

Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.

Banner informativo com texto sobre tratamentos disponíveis na Clínica FEMA em fundo rosa.

FAQ – Câncer de mama inflamatório

O que é câncer de mama inflamatório?

É um subtipo raro e agressivo de câncer de mama, no qual as células cancerígenas bloqueiam os vasos linfáticos da pele mamária. Em vez de formar um nódulo palpável, provoca vermelhidão, inchaço e alteração na textura da pele, com aparência semelhante à casca de laranja.

Quais são os primeiros sinais do câncer de mama inflamatório inicial?

Os sinais iniciais incluem vermelhidão persistente em parte da mama, aumento rápido do volume, sensação de calor ou peso, e alteração na textura da pele. Esses sintomas costumam surgir em poucas semanas e progridem rapidamente.

Câncer de mama inflamatório dói?

Pode causar dor, sensibilidade ou sensação de pressão na mama afetada. Porém, nem todas as pacientes apresentam dor intensa. 
Em alguns casos, o sintoma predominante é a coceira ou o calor local. A presença ou ausência de dor não deve ser usada isoladamente para confirmar ou descartar a doença.

Como é feito o tratamento do câncer de mama inflamatório?

O tratamento é multimodal e geralmente se inicia com quimioterapia neoadjuvante, seguida de mastectomia radical modificada, radioterapia e, conforme o perfil molecular, hormonioterapia, terapia-alvo ou imunoterapia. O plano é individualizado para cada paciente.

O câncer de mama inflamatório estágio 3 tem cura?

O estágio III indica doença localmente avançada, mas os avanços terapêuticos dos últimos anos têm ampliado as possibilidades de controle e remissão. 
O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fatores determinantes para um prognóstico mais favorável.

Qual a diferença entre câncer de mama inflamatório e mastite?

Os sintomas iniciais podem ser parecidos, vermelhidão, inchaço e calor. A diferença principal está na resposta ao tratamento: a mastite melhora com antibióticos em poucos dias, enquanto o câncer de mama inflamatório não responde a esses medicamentos. Se os sintomas persistirem após 7 a 10 dias de antibioticoterapia, a investigação complementar é obrigatória.

O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.

Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.

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