Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.
A mamotomia é um tipo de biópsia da mama realizada com o auxílio de um dispositivo a vácuo, que pode ser guiado por mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética.
Esse procedimento é minimamente invasivo e é indicado quando há necessidade de investigar alterações suspeitas nas mamas, como ocorre com os nódulos ou calcificações suspeitas, quando não conseguem ser totalmente avaliados apenas com exames de imagem.
Por permitir a retirada de uma quantidade maior de tecido mamário para análise, este método consegue oferecer mais precisão, tanto para o diagnóstico de lesões benignas quanto malignas.
Neste artigo, você vai entender o que é a mamotomia, como o procedimento é feito, em quais casos ela é indicada e quais são seus benefícios.
O que é mamotomia?
A mamotomia é uma técnica de biópsia mamária que utiliza um dispositivo com sistema de vácuo para coletar fragmentos de tecido da mama, geralmente de áreas pequenas e profundas.
O exame é indicado para investigar alterações detectadas em exames de imagem que precisam de uma avaliação mais detalhada.
O procedimento é guiado por métodos de imagem que ajudam o médico a localizar a região a ser examinada com mais precisão e coletar o material.
Uma das diferenças entre a mamotomia e a biópsia por agulha tradicional é a capacidade de retirar amostras maiores da lesão, o que aumenta a assertividade no diagnóstico.
Além disso, em alguns casos, a mamotomia pode até retirar completamente pequenas lesões benignas, o que descarta a necessidade de uma cirurgia.
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Mamotomia guiada por ultrassom
O método utiliza imagens em tempo real geradas pelo ultrassom para guiar a agulha até a lesão.
A paciente permanece deitada, e o exame costuma ser mais rápido e confortável.
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Mamotomia por estereotaxia
A mamotomia guiada por mamografia, como também é chamada esta técnica, é utilizada principalmente para investigar alterações que não são visíveis na mamotomia guiada por ultrassonografia.
A paciente é posicionada de bruços ou sentada, e a mama é comprimida, semelhante ao que ocorre em uma mamografia convencional.
Por meio de imagens em diferentes ângulos, o equipamento localiza com precisão a área da lesão e orienta a introdução da agulha para a coleta do tecido.
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Mamotomia guiada por ressonância magnética
A ressonância magnética é utilizada principalmente em pacientes com mamas densas, na qual os nódulos não são palpáveis.
Nesses casos, a mamotomia com os outros métodos não consegue identificar lesões de forma eficaz, porque não consegue diferenciar o tecido mamário de lesões.
Durante o exame, a paciente permanece de bruços em um equipamento de ressonância com a mama posicionada em uma bobina especial.
Como é feita a mamotomia?
A mamotomia dura aproximadamente 1 hora e é realizada com anestesia local. O procedimento é guiado por um método de imagem, como mamografia (estereotaxia), ultrassonografia ou ressonância magnética.
A escolha da técnica depende da visibilidade da lesão e da recomendação médica.
Durante o procedimento, uma pequena incisão é feita na pele para a introdução de uma agulha especial, conectada a um sistema de vácuo.
Esse sistema permite a retirada de fragmentos do tecido mamário de forma precisa, contínua e praticamente indolor.
Todo o processo é monitorado em tempo real, garantindo a coleta adequada para análise patológica.
Após a coleta do material, é comum que um pequeno clipe metálico seja inserido no local da mamotomia.
Ele funciona como um marcador para identificar a região para futuros exames, caso seja necessário acompanhar a evolução da lesão ou realizar uma intervenção cirúrgica.
Para que serve a mamotomia?
O método é utilizado principalmente para o diagnóstico preciso de alterações mamárias identificadas em exames de imagem, ou que tiveram resultados inconclusivos, mas que têm suspeita de câncer de mama.
Sua principal função é coletar amostras de tecido da mama de forma minimamente invasiva, o que permite a análise em laboratório, chamada de exame histopatológico.
Diferente da biópsia por agulha fina ou core biópsia, a mamotomia permite a retirada de fragmentos maiores da lesão, o que aumenta a precisão do diagnóstico e reduz a chance de resultados inconclusivos.
Além disso, a mamotomia também pode ser indicada para a remoção completa de lesões benignas pequenas, que ocorre no próprio procedimento.
Quando a alteração é confirmada como não cancerígena e está localizada em uma área de fácil acesso, o médico pode retirar completamente a lesão.
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Quais são os cuidados após a mamotomia?
Apesar de ser um procedimento minimamente invasivo, a mamotomia requer alguns cuidados simples no pós-exame para garantir a boa cicatrização e prevenir complicações.
Os cuidados gerais incluem:
Compressa e curativo no local
Logo após o procedimento, é comum a aplicação de uma compressa de gelo para conter possíveis sangramentos e a colocação de um curativo compressivo.
A recomendação é não molhar o curativo por pelo menos 24 horas ou conforme orientação médica.
Evitar esforço físico
Nas primeiras 24 a 48 horas após a mamotomia, é importante evitar atividades físicas intensas ou movimentos repetitivos com o braço do lado examinado, para ajudar a reduzir o risco de sangramento ou hematomas.
Uso de sutiã firme
O uso de um sutiã confortável e com boa sustentação auxilia na compressão da área e no alívio do desconforto, principalmente no primeiro dia após o exame.
Quais são os perigos da mamotomia?
O procedimento é seguro e oferece baixo risco de complicações. Ainda assim, como qualquer intervenção médica, pode apresentar efeitos adversos em alguns casos.
Entre os possíveis efeitos colaterais, destacam-se:
- Hematomas: é uma ocorrência comum, principalmente quando a amostra retirada é maior ou quando a paciente tem maior sensibilidade, mas, geralmente, desaparecem com o tempo;
- Sangramento: durante ou após o procedimento, pode haver sangramento no local da punção, principalmente em pacientes que usam medicamentos anticoagulantes;
- Infecção: apesar do risco ser baixo, ainda existe, por isso, é essencial ficar atento aos sinais e procurar atendimento médico imediatamente;
- Dor prolongada: embora o desconforto seja geralmente leve e temporário, algumas pacientes podem sentir dor persistente por mais tempo ou com mais intensidade, o que pode exigir avaliação e medicação;
- Reações ao clipe metálico: em exames em que ocorre a colocação do clipe metálico, reações alérgicas ou inflamatórias são extremamente raras, mas podem ocorrer em pacientes com sensibilidade a materiais específicos.
Apesar desses riscos, a mamotomia é amplamente utilizada por ser eficaz, precisa e, na maioria dos casos, com recuperação tranquila para os pacientes.
A escolha desse método é feita com base na avaliação médica e nos benefícios esperados em comparação a outras técnicas.
Para saber mais sobre este assunto: Punção da mama: o que é, quando é indicada e como o exame é realizado

Conheça o Dr. Felipe Andrade

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.
Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.



