Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.
A dor que aparece e desaparece nas mamas tem explicação e, na maioria das vezes, ela é benigna
Você estava no trabalho, na academia ou simplesmente em repouso quando sentiu: uma pontada na mama, rápida, localizada, que veio e foi embora.
A pergunta que fica é inevitável: isso é normal?
A pontada na mama é, na maioria das vezes, um sintoma benigno. Ela pode estar relacionada a variações hormonais do ciclo menstrual, tensão muscular na parede torácica ou presença de cistos mamários.
O mastologista indica investigação quando a dor persiste, é unilateral, localizada em ponto fixo ou vem acompanhada de outras alterações.
A resposta, na maior parte dos casos, é sim. Ainda assim, entender o que está por trás dessa dor é importante. Porque nem todo sintoma mamário é igual, e saber diferenciá-los é o primeiro passo para agir com segurança.
O que caracteriza a dor em pontada?
Segundo a revisão clínica sobre mastalgia publicada no StatPearls e disponibilizada pela NCBI Bookshelf (National Library of Medicine/NIH), a dor nas mamas afeta até 70% das mulheres em algum momento da vida, e raramente está associada ao câncer de mama.
Diferença entre dor contínua e pontual
A dor mamária se manifesta de formas muito distintas. Há mulheres que relatam uma sensação de peso constante, que persiste por dias.
Outras descrevem uma pontada rápida, que dura segundos e some sem deixar rastro.
Essa segunda categoria, a dor pontual e transitória, costuma ter origem benigna com mais frequência.
Ela tende a ser localizada em um ponto específico da mama, não se espalha e não vem acompanhada de outras alterações visíveis, como inchaço, vermelhidão ou retração do mamilo.
Já a dor contínua, que não melhora com o ciclo menstrual e persiste por mais de 10 a 15 dias, merece investigação mais cuidadosa.
Relação com o ciclo hormonal
Grande parte das pontadas mamárias tem origem hormonal.
O tecido da mama é extremamente sensível às variações de estrogênio e progesterona ao longo do ciclo menstrual.
Nos dias que antecedem a menstruação, esse tecido se torna mais denso e sensível, e a dor pode aparecer de forma localizada, em forma de pontada ou pressão.
Os especialistas chamam esse padrão de mastalgia cíclica.
É previsível, recorrente e tende a desaparecer após o início do período menstrual.
É esse tipo de dor que, na maioria das vezes, está por trás da pontada rápida que aparece nos dias que antecedem a menstruação.
Causas benignas da pontada na mama
Alterações hormonais
A mastalgia cíclica é a causa mais comum de dor mamária entre mulheres em idade reprodutiva.
O desconforto é diretamente proporcional à intensidade das flutuações hormonais, por isso, algumas mulheres sentem mais em determinados meses, especialmente em períodos de estresse ou alterações no estilo de vida.
Anticoncepcionais hormonais e terapia de reposição hormonal também podem provocar sensibilidade aumentada nas mamas, incluindo pontadas localizadas.
Tensão muscular
Aqui está um detalhe que pouca gente conhece: nem toda dor sentida na mama vem do tecido mamário.
A musculatura da parede torácica, intercostais, peitoral maior, serrátil, pode gerar dores que irradiam para a região da mama e se confundem facilmente com sintomas mamários.
Esse tipo de dor, a mastalgia extramária, costuma piorar com movimentos específicos, como levantar o braço, virar o tronco ou pressionar a região.
Uma academia recém-iniciada, uma postura inadequada no trabalho ou até um episódio de tosse intensa podem ser o gatilho.
Cistos
Os cistos mamários são pequenas bolsas de líquido que se formam no tecido da mama.
Eles são alterações benignas, mas podem causar dor localizada, especialmente quando crescem durante o ciclo menstrual ou quando se inflamam.
Para saber mais sobre essa condição, leia:
Cisto na mama: pode se transformar em câncer?
É normal sentir pontadas na mama? Quando investigar?
Dor persistente
A pontada na mama é normal na maior parte das vezes, mas há sinais que mudam essa equação.
O principal deles é a persistência: uma dor que não segue o ritmo do ciclo menstrual, que aparece todos os dias ou que vai se intensificando ao longo das semanas, precisa ser avaliada.
A dor mamária raramente está associada ao câncer de mama.
Um estudo retrospectivo com 840 pacientes, publicado no Turkish Journal of Surgery e indexado no PMC (National Library of Medicine/NIH), avaliou casos de mastalgia tanto isolada quanto associada a nódulo, e os pesquisadores identificaram malignidade em apenas 1,3% do total.
Ainda assim, a avaliação especializada é fundamental, especialmente quando a dor é unilateral, localizada e acíclica, pois esses são os padrões que os estudos associam com maior frequência à necessidade de investigação.
Associação com nódulo
Se a pontada vier acompanhada de qualquer alteração palpável na mama, uma “bolinha”, uma área endurecida ou assimétrica, o cenário muda.
Dor associada a nódulo exige investigação imediata, independentemente da intensidade do desconforto.
Vale lembrar: o câncer de mama, na maioria das vezes, não causa dor nos estágios iniciais.
Por isso, a ausência do sintoma não é garantia de que tudo está bem e sentir desconforto não significa, automaticamente, que há algo grave.
Para entender melhor os sinais da doença, leia:
Câncer de mama: saiba os fatores de riscos, sintomas e tratamentos
Exames indicados
Quando a dor merece investigação, os exames de imagem são o caminho.
A ultrassonografia mamária é geralmente o primeiro recurso indicado, ela consegue identificar cistos, nódulos e alterações no tecido com precisão.
Além da ultrassonografia, a mamografia é recomendada para mulheres a partir dos 40 anos e segue sendo o padrão-ouro no rastreamento do câncer de mama, conforme defendido pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e pela Febrasgo.
Em alguns casos, o mastologista pode solicitar exames complementares conforme a avaliação clínica.
Avaliação mastológica: o passo mais seguro
Mais do que os exames em si, o que orienta toda essa investigação é a avaliação clínica.
Na prática, é comum encontrar mulheres que convivem com a dor por meses, ou que se alarmam desnecessariamente com sintomas que têm explicação simples.
Nos dois casos, o denominador comum é o mesmo: a ausência de avaliação especializada.
O mastologista é o profissional habilitado para diferenciar uma mastalgia cíclica de uma dor que exige investigação.
Ele considera o histórico clínico, o padrão da dor, a fase do ciclo e os achados do exame físico, antes de decidir se há necessidade de imagem ou acompanhamento.
Para aprofundar o entendimento sobre dor mamária e suas possíveis causas, leia também:
Dor nos seios: entenda o que pode ser

Conheça o Dr. Felipe Andrade

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.
Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
A avaliação de um mastologista é fundamental para o acompanhamento da saúde das mamas.
Para facilitar ainda mais, reunimos abaixo as dúvidas mais comuns sobre o tema.
Perguntas frequentes sobre pontada na mama
Sim, na maioria dos casos. A dor pontual e transitória costuma ter origem hormonal ou muscular, condições benignas e muito frequentes entre mulheres em todas as fases da vida. O que importa observar é se a dor persiste, se é unilateral e se vem acompanhada de outras alterações.
Raramente. O câncer de mama, em geral, não causa dor nos estágios iniciais, e, quando o sintoma aparece associado à doença, costuma ocorrer em fases mais avançadas.
Quando a dor persiste por mais de 10 a 15 dias, é unilateral, está localizada em um ponto fixo da mama, não segue o ciclo menstrual ou vem acompanhada de qualquer alteração palpável. Esses são os critérios clínicos que justificam a avaliação especializada.
Sim, e com frequência. A musculatura da parede torácica pode gerar dor que irradia para a região da mama, sendo facilmente confundida com sintoma mamário. Esse tipo de dor costuma piorar com movimentos específicos do tronco ou do braço, o que ajuda o mastologista a identificar a origem real do desconforto.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.




