Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

A radioterapia na mama é um dos tratamentos mais utilizados para o câncer de mama, pela sua alta eficácia em reduzir recidivas no local.
O tratamento é realizado pelo radio-oncologista ou o radioterapeuta, que o prescreve e o acompanha. Da mesma forma, este médico especializado pode tratar seus possíveis efeitos colaterais.
Para tratar o câncer de mama, o profissional radioncologista trabalha em conjunto com um médico mastologista, um oncologista, um radiologista e um físico que atua na área médica.
O mastologista é responsável pela avaliação clínica e cirúrgica, enquanto o radiologista realiza exames de imagem que ajudam a determinar a extensão da doença e a resposta ao tratamento.
Continue sua leitura para entender melhor como é a radioterapia na mama, os efeitos colaterais e para quais situações é recomendada.
Quando é indicado fazer radioterapia na mama?

O objetivo do tratamento é destruir células cancerígenas remanescentes que possam ter ficado na região após a remoção do tumor, para reduzir o risco de recidiva, ou para controlar seu crescimento.
Quando o paciente realiza uma cirurgia conservadora, em que apenas o tumor e uma margem de tecido mamário são removidos, ainda pode haver a presença de células cancerígenas.
Aliás, mesmo após a cirurgia radical, em que se remove todo o tecido mamário, o tratamento também pode ser realizado se houver indícios das células cancerígenas terem se espalhado para outros tecidos além do seu local de origem.
Além disso, a radioterapia na mama também pode ser realizada para controlar o crescimento do tumor em estágios mais avançados, em que houve comprometimento dos linfonodos.
Inclusive, quando há recidiva do câncer na área da mama ou ao redor, o tratamento pode ser indicado novamente para tentar controlar o crescimento de alguma célula que possa ter permanecido mesmo após a retirada cirúrgica dessa recidiva local e prevenir a progressão da doença.
Contudo, quando é identificada a presença de metástases, realiza-se o tratamento de forma paliativa para aliviar os sintomas e reduzir o impacto do câncer dos tecidos vizinhos.
De forma geral, a indicação da radioterapia varia conforme o estágio da doença, a biologia do tumor e as características individuais do paciente.
Como é feita a radioterapia na mama?
A radioterapia na mama é um tratamento local que utiliza radiações ionizantes para destruir células cancerígenas.
O processo deve ser cuidadosamente planejado para garantir que a dose de radiação seja direcionada com precisão.
Isso deve ser feito para minimizar os efeitos em células saudáveis em tecidos ao redor e, principalmente, em órgãos vitais próximos, como o coração e os pulmões.
De acordo com a interpretação de exames de tomografia e ressonância magnética, planeja-se a dose e a distribuição da radiação. Geralmente, a radioterapia na mama é realizada em até 15 sessões.
O tratamento pode durar de duas a três semanas, dependendo do tipo de tumor, do estágio do câncer e da condição de saúde da paciente. Em algumas situações podemos realizar o tratamento em até 5 dias.
Durante cada sessão, o paciente é posicionado cuidadosamente em uma mesa e o aparelho de radioterapia é ajustado para emitir feixes de radiação direcionados ao local.
O paciente deve permanecer imóvel durante alguns minutos enquanto a máquina emite a radiação. O tempo total de cada sessão varia de cinco a dez minutos.
Durante todo o tratamento, o paciente é acompanhado pela equipe médica para monitorar os efeitos colaterais e o progresso do tratamento.
Quais são os tipos de radioterapia na mama?
A radioterapia é um tratamento eficaz para o câncer de mama, principalmente quando é combinada com outros métodos, como a cirurgia de remoção e a quimioterapia.
Existem dois principais tipos de radioterapia que podem ser utilizados no tratamento, cada um com características e aplicações específicas.
Radioterapia externa
A radioterapia externa é a forma mais comum de tratamento radioterápico para o câncer de mama. Nesse método, a radiação é emitida por um equipamento localizado a cerca de um metro de distância do corpo do paciente.
O aparelho emite feixes de radiação altamente controlados, que são direcionados para a região que foi afetada pelo câncer e parte dos tecidos vizinhos.
As sessões de radioterapia externa são realizadas de forma diária, com o objetivo de destruir células cancerígenas residuais após a cirurgia.
Braquiterapia
A braquiterapia é uma forma mais localizada de radioterapia, na qual a fonte de radiação é natural é colocada muito próxima ao tumor ou até mesmo dentro da área afetada.
Ao contrário da radioterapia externa, na qual a radiação é emitida a partir de uma máquina externa, na braquiterapia a fonte de radiação é interna.
Esse tipo de tratamento é geralmente utilizado para tumores em áreas específicas e pode ser combinado com a radioterapia externa para aumentar a eficácia.
Quais são as sequelas da radioterapia na mama?
O tratamento, assim como qualquer outro, pode trazer tanto sequelas imediatas quanto a longo prazo, que podem variar de acordo com a dose de radiação, o local exato onde foi aplicada e a sensibilidade individual do paciente.
Na radioterapia efeitos colaterais na mama incluem:
As sequelas podem ser compreendidas entre aqueles que ocorrem durante o tratamento e os que surgem posteriormente, conhecidos como efeitos tardios.
Efeitos colaterais da radioterapia na mama durante tratamento
Durante a radioterapia, a maioria dos efeitos colaterais são leves e geralmente não interrompem o tratamento. Entre os mais comuns, estão:
Radiodermite
Esta é uma forma de irritação na pele, que pode apresentar vermelhidão, ressecamento, coceira e, em casos mais intensos, descamação.
Esse sintoma é semelhante a uma queimadura solar leve e tende a piorar com a continuidade do tratamento. No entanto, desaparece com o tempo após o término da radioterapia.
Perda de cabelo
Ao contrário da quimioterapia, a radioterapia não causa perda de cabelo em todo o corpo. No entanto, pode haver queda de cabelo ou pelos na região tratada.
No caso da radioterapia mamária, essa perda de pelos pode ocorrer na área ao redor da mama, axila ou tórax.
Cansaço
A fadiga é um efeito comum da radioterapia na mama, que pode ser causado tanto pelo impacto do tratamento no corpo quanto pelo estresse físico e emocional da própria doença
Esse efeito tende a aumentar ao longo do tratamento, mas é temporário, portanto, tende a melhorar algumas semanas após o fim do tratamento.
Dificuldade para engolir
Em alguns casos, principalmente quando a radiação atinge áreas próximas ao esôfago, o paciente pode sentir dificuldade para engolir sólidos ou desconforto ao engolir.
Esse efeito colateral é mais comum quando a radiação atinge o lado esquerdo da mama, perto da região torácica. No entanto, ele geralmente melhora após o término da radioterapia.
Efeitos tardios da radioterapia na mama
Os efeitos tardios são aqueles que podem aparecer entre três a seis meses após o término do tratamento.
Embora sejam menos comuns, essas sequelas podem ser mais duradouras e até irreversíveis em alguns casos, mas podem diminuir com o tempo.
Veja quais são eles:
Fibrose mamária
A fibrose é uma das sequelas mais comuns da radioterapia e refere-se ao endurecimento do tecido mamário tratado.
Com o tempo, a mama que recebeu radiação pode ficar mais firme ou dura em comparação à mama não tratada. Mas, na maioria dos casos, essa alteração é leve e não causa grandes incômodos.
A utilização de técnicas contemporâneas de radioterapia pode ajudar a minimizar a fibrose, e algumas medidas preventivas podem ser tomadas durante e após o tratamento para reduzir o risco desse efeito colateral.
Linfedema
O linfedema é o inchaço do braço do lado da mama tratada, causado por danos ao sistema linfático. Tanto a cirurgia quanto a radioterapia podem afetar os linfonodos axilares, responsáveis pela drenagem linfática da área da mama e do braço.
O linfedema pode se manifestar meses ou até anos após o tratamento, e sua gravidade pode variar de um leve inchaço a um aumento significativo do braço afetado.
Esse efeito pode ser prevenido ou minimizado com uma reabilitação pós-operatória adequada, incluindo fisioterapia, além da aplicação de técnicas modernas que reduzem o impacto da radiação nos linfonodos.
Comprometimento pulmonar e cardíaco
Um dos receios mais comuns entre pacientes submetidos à radioterapia da mama é o impacto da radiação em órgãos vitais próximos, como os pulmões e o coração.
Dependendo da localização do tumor e da área tratada, há um pequeno risco de que a radiação afete essas estruturas.
Mas o uso de técnicas modernas permitem direcionar a radiação de forma mais precisa, para preservar tecidos saudáveis e minimizar danos a órgãos próximos.
Conheça o Dr. Felipe Andrade

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da USP.
O doutor é Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e Especialista em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Com Doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês, seu foco de pesquisa é a qualidade do tratamento do câncer de mama.
Ele é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e sócio titular da Sociedade Brasileira de Mastologia.
Além de sua atuação na Mastologia, também atua na área de ginecologia para oferecer uma assistência integral e especializada à saúde da mulher.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e realiza seus atendimentos no Centro de Oncologia do hospital, na Unidade Jardins do Hospital Albert Einstein.
Além disso, atua em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, São Paulo SP.
Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.