Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.
A retração do mamilo (bico) é uma condição que pode afetar indivíduos durante o desenvolvimento das mamas na infância ou na adolescência, chamada de inversão congênita.
Contudo, o bico invertido pode ser uma condição adquirida na vida adulta. Nesse caso, pode estar ligada a um câncer de mama.
Também é possível que a retração do mamilo seja causada por doenças benignas da mama, como a ectasia ductal mamária.
Neste artigo, você vai entender mais sobre as condições mamárias que podem causar o bico invertido e como afetam sua saúde.
O que é retração do mamilo?
Antes de tudo, você deve entender melhor como se caracteriza a papila invertida, como chamamos o bico retraído.
A condição ocorre quando o mamilo não se projeta para fora da aréola. Em vez disso, permanece parcialmente ou completamente retraído para dentro do tecido. Essa condição pode afetar uma ou ambas as mamas.
A condição pode ter causa congênita, isto é, está presente desde o nascimento do indivíduo. Contudo, o bico invertido pode aparecer ao longo da vida, de forma gradual.
A explicação para este caso são condições mamárias que alteram a estrutura das mamas de forma progressiva. É essencial procurar um médico para avaliar a condição, principalmente em casos de câncer de mama.
A seguir, conheça as possíveis causas para o mamilo invertido.

Ectasia ductal mamária
A ectasia ductal é uma mastite não infecciosa, uma condição benigna que afeta os ductos mamários, os canais responsáveis por transportar o leite das glândulas mamárias até o mamilo.
Nessa condição, esses ductos se dilatam e podem sofrer inflamação, recebendo o nome de mastite periductal. Os pacientes diagnosticados costumam ser assintomáticos.
Mas, quando sintomáticos, a ectasia ductal apresenta sensibilidade ou dor na mama e fluxo papilar, como é denominada a secreção, além de nódulo, segundo a American Cancer Society. A retração do mamilo é um sinal clínico menos comum.
A ectasia ductal mamária é mais frequente em mulheres na pré-menopausa, por volta dos 50 anos de idade. Isso ocorre por causa do envelhecimento natural das mamas.
Os ductos podem se alargar e as paredes podem engrossar, o que leva ao acúmulo de secreções e inflamação. O tabagismo também é um fator contribuinte que, inclusive, está associado à alteração da textura e da cor das aréolas.
A ectasia ductal não está relacionada ao câncer de mama. No entanto, devido à semelhança de seus sintomas com os de outras condições mais graves, é essencial realizar uma avaliação médica para garantir um diagnóstico preciso.
Doença de Paget da mama
A Doença de Paget é uma forma rara de câncer de mama que afeta a pele do mamilo e da aréola. Este tipo de câncer de mama representa menos de 4% dos casos.
Geralmente, está associada a tumores subjacentes na mama, como um carcinoma invasivo. Segundo o Breastcancer.org, as células cancerígenas desprendem-se do tumor, sendo transportadas dos ductos até a pele das dos mamilos.
Apesar dos diagnósticos desta doença estarem associados ao desenvolvimento de um tumor, também é possível que as duas condições desenvolvam-se isoladamente. Nesse caso, a pele da região torna-se cancerosa.
Por isso, apesar de extremamente raro, é possível encontrar pacientes que apresentam a doença de Paget, mas não apresentam tumores na mama.
Entre os sinais clínicos mais comuns da doença de Paget estão o espessamento ou retração da pele ou do mamilo.
Mas os pacientes também apresentam coceira, vermelhidão, descamação, sensação de queimação, secreção sanguinolenta e dor ou desconforto na região afetada.
A doença pode desenvolver-se gradualmente ao longo de meses ou anos, iniciando no mamilo e espalhando-se para o redor da pele.
É essencial consultar um médico para obter um diagnóstico assertivo e iniciar o tratamento mais adequado, porque os sinais clínicos são semelhantes aos de outras doenças.
Aprofunde-se mais: Sintomas de câncer de mama: 3 iniciais e os 5 mais avançados
Carcinoma ductal invasivo
O carcinoma ductal invasivo é o tipo mais comum de câncer de mama, representando entre 40% e 75% dos casos.
Ele origina-se no revestimento dos ductos mamários, que são canais responsáveis por transportar o leite durante a amamentação.
Diferentemente do carcinoma ductal in situ, que permanece confinado nos ductos, o carcinoma ductal invasivo tem a capacidade de se espalhar para outros tecidos da mama.
Essa particularidade permite que as células cancerígenas alcancem e disseminem-se pelo sistema linfático ou pela corrente sanguínea, permitindo a formação de metástases.
Os sinais clínicos mais comuns incluem nódulos, fluxo papilar e linfonodos palpáveis, que aparecem nos estágios iniciais da doença.
Entenda mais: Alteração no mamilo indicam câncer? O que observar e quando procurar um mastologista
Contudo, conforme sua evolução, surgem outros sinais, como alterações na pele da mama, como vermelhidão, espessamento, descamação e ulceração, além de mudança no formato e tamanho.
Também é possível perceber alterações nos mamilos, como retração e alteração na posição. A pele ao redor pode apresentar coloração mais escura.
O risco do carcinoma invasivo é maior após os 50 anos, aumentando progressivamente com o envelhecimento.
Além do histórico familiar e mutações genéticas, o sedentarismo, a obesidade, o consumo excessivo de álcool e o tabagismo contribuem significativamente para o desenvolvimento da doença.
Os tumores também estão relacionados com a exposição aos hormônios ao longo da vida, como menarca precoce, menopausa tardia, gravidez tardia, nunca ter engravidado e uso de terapia de reposição hormonal.
A prevenção e a detecção precoce são fundamentais para prevenir e combater a doença. Mulheres com mais de 40 anos, principalmente com fatores de risco, devem realizar os exames de rastreamento recomendados com o mastologista.
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Conheça o Dr. Felipe Andrade

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.
Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.



