Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

A terapia-alvo para câncer de mama é um dos tratamentos mais avançados da Oncologia, porque age de forma localizada nas células cancerígenas.
Diferentemente de outros procedimentos, a abordagem oferece menos efeitos colaterais, já que não afeta os tecidos saudáveis.
A quimioterapia é um tratamento mais agressivo, já que possui ação sistêmica, isto é, age por todo o corpo, sem distinguir células malignas de células saudáveis.
A radioterapia, apesar de agir de forma mais localizada na área afetada e nos tecidos adjacentes, também afeta tecidos saudáveis.
Por isso, a terapia-alvo de câncer de mama mostra-se como uma opção mais viável para pacientes que possuem contraindicação desses tratamentos.
Entenda melhor neste material como funciona este procedimento e em quais casos ele é mais recomendado.
O que é terapia-alvo no câncer de mama?
Este tratamento consegue agir diretamente em moléculas específicas presentes nas células tumorais, por causa da detecção de alvos celulares.
Assim como em outros tecidos, nas células cancerígenas existem proteínas e moléculas que comandam diferentes funções, contudo, de forma descontrolada.
Entre elas, podemos citar a multiplicação celular e a morte programada (apoptose), o que causa o crescimento dos tumores, que podem ocorrer de forma acelerada ou não.
Assim sendo, a terapia-alvo para câncer de mama, conforme informações do Hospital Albert Einstein, consegue direcionar a ação dos medicamentos para as células tumorais, reduzindo significativamente os efeitos nas células saudáveis.
Com isso, é possível promover melhor qualidade de vida durante e após o tratamento, uma vez que há menos efeitos colaterais e a efetividade da abordagem é maior.
É importante ressaltar que, apesar da redução significativa dos efeitos colaterais do tratamento, os pacientes ainda podem experimentar alguns sintomas, que variam conforme a medicação.
Entre eles, podemos citar:
- Prurido (coceira);
- Sensibilidade cutânea ao sol;
- Pele seca;
- Alteração da cor da pele;
- Inchaço nas extremidades e na face;
- Alteração na cor e no crescimento do cabelo;
- Pressão alta;
- Coágulos de sangue.
Conforme o Cleveland Clinic, espera-se que a maioria dos efeitos colaterais desapareçam após alguns meses do término do tratamento.
Como funciona a terapia-alvo de câncer de mama?
A primeira terapia-alvo, na verdade, funcionava como uma terapia “anti-hormonal”, já que neutralizava receptores de estrogênio nas células tumorais, que eram responsáveis pelo seu crescimento.
Hoje, existem diversos medicamentos que conseguem agir especificamente em diferentes moléculas e proteínas.
Por isso, a recomendação deste tratamento depende do subtipo e da classificação do câncer de mama, assim como da medicação e da condição de saúde do paciente.
Além disso, o protocolo pode incluir apenas o uso de uma substância, chamada de monoterapia, ou ser associada a outros procedimentos, como quimioterapia, radioterapia ou tratamento cirúrgico.
Segundo The American Cancer Society (ACS), os medicamentos utilizados na terapia-alvo podem ser administrados via oral, em cápsulas, comprimidos, via intravenosa ou subcutânea.
O protocolo é individualizado e varia para cada paciente, de acordo com seu quadro clínico, o subtipo do câncer, o tamanho do tumor e a própria medicação.
Por isso, as doses podem ser administradas diariamente, semanalmente ou mensalmente.
A medicação da terapia-alvo para câncer de mama age de diferentes formas no organismo:
- Interromper a divisão celular das células cancerígenas, isto é, do crescimento do tumor;
- Alterar o funcionamento das células malignas para causar sua morte;
- Estimular o sistema imunológico a combater as células tumorais;
- Impedir a formação de novos vasos sanguíneos, que fortalecem o tumor;
- Transportar substâncias quimioterápicas ou radioativas para agir nas células cancerígenas.
Anticorpos monoclonais
As moléculas do medicamento funcionam como anticorpos sintéticos, que identificam células intrusas ou anormais e prendem-se às proteínas de sua superfície.
Conheça quais são os tipos de anticorpos monoclonais de terapia-alvo:
- Inibidores da angiogênese, como bevacizumabe: impedem a formação de novos vasos sanguíneos e interrompem o fornecimento de sangue, que transporta nutrientes e oxigênio;
- Agentes direcionados a HER2, como trastuzumabe e pertuzumabe: os medicamentos destróem as células cancerígenas com HER2 positivas, que são proteínas que estimulam o crescimento dos tumores, ou reduzem sua capacidade celular;
Inibidores de pequenas moléculas
Este tipo de medicação possui pequenas moléculas que conseguem penetrar as células para atuar diretamente em proteínas específicas das células malignas.
- Tirosina quinase (TKIs), como erlotinib, sunitinib, imatinibe e dasatinibe: atuam bloqueando os sinais da proteína tirosina quinases, que comanda a multiplicação celular, causando a morte das células cancerígenas;
- Inibidores de mTOR, como everolimo: bloqueiam os sinais da proteína mTOR, que também é responsável pelo crescimento e invasão das células cancerígenas para tecidos adjacentes;
- Inibidores de PARP, como olaparibe: a medicação bloqueia os sinais da enzima enzima poli (ADP-ribose) polimerase-1 (PARP-1), que atua na reparação do DNA danificados das células cancerígenas;
- Inibidores de CDK, como palbociclibe, ribociclibe e abemaciclibe: bloqueiam a enzima quinase dependente de ciclina (CDK) de enviar sinais de crescimento às células malignas, para eventualmente morrerem.
Conheça o Dr. Felipe Andrade

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da USP.
O doutor é Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e Especialista em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Com Doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês, seu foco de pesquisa é a qualidade do tratamento do câncer de mama.
Ele é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e sócio-titular da Sociedade Brasileira de Mastologia.
Além de sua atuação na Mastologia, também atua na área de ginecologia para oferecer uma assistência integral e especializada à saúde da mulher.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e realiza seus atendimentos no Centro de Oncologia do hospital, na Unidade Jardins do Hospital Albert Einstein.
Além disso, atua em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, São Paulo SP.
Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.