Dr. Felipe Andrade, mastologista, apresenta palestra sobre cirurgia primária versus neoadjuvância para tumores HER-2 em evento de mastologia.

Tumores HER2 positivo: reflexões da Jornada Mineira de Mastologia sobre estratégia terapêutica 

Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher. 

Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

Dr. Felipe Andrade, mastologista, apresenta palestra sobre cirurgia primária versus neoadjuvância para tumores HER-2 em evento de mastologia.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.

Biologia tumoral acima do tamanho: o debate sobre HER2 positivo que redefine estratégias terapêuticas na mastologia brasileira.

A presença do Dr. Felipe Andrade, na 8.ª Jornada Mineira de Mastologia, reforça seu compromisso com a atualização científica contínua. Além disso, demonstra sua dedicação a um cuidado mais qualificado para suas pacientes.

O debate central sobre a estratégia terapêutica nos tumores HER2-positivo evidenciou algo que transforma a prática clínica. Em outras palavras, o tamanho do tumor, sozinho, não define o melhor tratamento.

A CLÍNICA FEMA destaca a participação do Dr. Felipe Andrade na 8.ª Jornada Mineira de Mastologia. O evento foi promovido pela Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional MG, em Belo Horizonte.

Durante o encontro, reuniram-se mastologistas, oncologistas, radiologistas e demais especialistas de referência nacional.

O objetivo foi debater os avanços mais recentes no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama.

Dessa forma, o formato científico consolida a mastologia como especialidade em permanente evolução.

Com atuação clínica baseada em evidências no Einstein Hospital Israelita e na CLÍNICA FEMA, o Dr. Felipe acompanhou de perto as discussões do evento.

Entre os assuntos, um tema mobilizou especialmente o debate: “Cirurgia Primária x Neoadjuvância nos Tumores HER2 positivo”. Essa é uma das questões mais estratégicas da especialidade, com impacto direto no prognóstico das pacientes.

HER2 positivo: por que esse subtipo exige uma abordagem diferenciada?

O receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2) é uma proteína que, quando superexpressa nas células tumorais, acelera o crescimento e a proliferação do câncer de mama.

Segundo a revista científica Frontiers in Oncology, entre 15% e 20% dos casos de câncer de mama são do subtipo HER2 positivo.

Por conta dessa superexpressão, o câncer de mama HER2 positivo exibe comportamento biologicamente mais agressivo: cresce com maior velocidade e, sem tratamento adequado, dissemina-se com mais facilidade para outros tecidos.

Ao mesmo tempo, esse mesmo perfil responde com eficácia expressiva às terapias-alvo anti-HER2, como o trastuzumabe e o pertuzumabe, o que torna a sequência terapêutica uma decisão de alto impacto clínico.

Para compreender melhor as particularidades desse subtipo, seus métodos diagnósticos e as opções de tratamento disponíveis, aprofunde a leitura em:
HER2-positivo: significado, diagnóstico e tratamento.

O centro do debate: o que fazer com tumores T1c?

O foco das discussões na Jornada Mineira recaiu sobre um grupo específico: os tumores classificados como T1c, com diâmetro entre 1 e 2 centímetros. 

Pelo tamanho reduzido, esses tumores pareceriam candidatos naturais à cirurgia imediata. 

No subtipo HER2 positivo, porém, essa lógica não se sustenta sozinha.

O Dr. Felipe reforçou, com clareza, que o tamanho não é o único critério, e muitas vezes não é o mais determinante

A decisão entre iniciar o tratamento pela cirurgia ou pela quimioterapia exige análise detalhada da biologia tumoral, com atenção a três variáveis fundamentais:

  • Receptores hormonais (RH): tumores com Receptor de Estrogênio (RE) e Receptor de Progesterona (RP) positivos tendem a apresentar comportamento menos agressivo, mesmo no contexto HER2 positivo. Já os tumores com receptores hormonais negativos são mais proliferativos e, em muitos casos, mais responsivos à neoadjuvância;
  • Grau histológico do tumor: o grau varia de 1 a 3 e reflete diretamente a agressividade celular. Tumores de grau 3 exibem células indiferenciadas e alta taxa de proliferação, o que frequentemente aponta para benefício na abordagem neoadjuvante;
  • Idade da paciente: mulheres mais jovens costumam apresentar tumores com perfis biológicos mais agressivos. Esse fator, integrado às demais variáveis, compõe a equação da tomada de decisão.

Essa análise integrada é o que permite uma conduta verdadeiramente individualizada, e não a aplicação uniforme de protocolos genéricos.

Neoadjuvância: uma ferramenta de informação, não apenas de redução tumoral

Quando se fala em quimioterapia neoadjuvante, a percepção mais imediata é a de uma estratégia para reduzir tumores grandes antes da cirurgia. 

No HER2 positivo, porém, essa leitura precisa ir mais longe, porque a neoadjuvância entrega algo que a cirurgia imediata não consegue oferecer. 

A neoadjuvância com duplo bloqueio anti-HER2, associando trastuzumabe e pertuzumabe à quimioterapia, oferece uma vantagem que transcende a redução tumoral: ela revela a resposta biológica do câncer ao tratamento antes mesmo da cirurgia.

Quando essa resposta resulta em resposta patológica completa, ausência de células tumorais viáveis no material cirúrgico, o prognóstico melhora de forma expressiva. 

Quando a resposta não é completa, o resultado orienta a intensificação do tratamento adjuvante, como o uso de T-DM1 (trastuzumabe entansina), com o objetivo de reduzir o risco de recidiva.

Nesse sentido, a neoadjuvância transforma-se em uma ferramenta de informação prognóstica, capaz de guiar decisões que atravessam toda a trajetória terapêutica da paciente. 

Para entender como o estadiamento e a resposta ao tratamento se conectam nesse processo, vale consultar:
Estadiamento câncer de mama: o que significa cada estágio e como impacta no tratamento
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Quando a cirurgia primária ainda é o caminho mais indicado?

As discussões na Jornada Mineira não estabeleceram a neoadjuvância como regra universal para todos os tumores T1c HER2 positivo. 

O Dr. Felipe foi preciso nesse ponto: a cirurgia primária segue sendo a escolha mais adequada para determinados perfis biológicos.

Tumores com receptores hormonais positivos, grau histológico mais baixo e ausência de outros fatores de risco biológico devem seguir diretamente para a cirurgia. 

Nesses casos, a neoadjuvância não acrescenta benefício suficiente para justificar o adiamento da intervenção.

O raciocínio que emergiu do evento é, portanto, mais sofisticado do que qualquer fórmula fixa: analisar a biologia tumoral com profundidade e decidir com base no perfil individual de cada paciente. Esse é o eixo que diferencia a mastologia contemporânea.

Para compreender como os diferentes subtipos moleculares orientam as decisões de tratamento, a leitura de Tipos de câncer de mama: quais são, como se manifestam e quando suspeitar oferece uma perspectiva complementar importante.

Atualização científica como parte integrante do cuidado

A participação do Dr. Felipe Andrade, na 8.ª Jornada Mineira de Mastologia, vai além da atualização técnica. Ela traduz um compromisso que orienta toda a sua prática: levar ao consultório o que há de mais robusto na ciência.

As pacientes atendidas na Clínica FEMA e no Einstein Hospital Israelita chegam a um profissional que debate, no mais alto nível científico nacional, as estratégias que irão guiar o tratamento delas. 

Afinal, o que se discute hoje nos grandes fóruns da mastologia chega ao consultório amanhã, e as pacientes merecem um médico que já esteve nessa conversa. 

Para saber mais sobre prognóstico e fatores que influenciam os resultados no câncer de mama HER2 positivo, a leitura de Sobrevida no câncer de mama HER2-positivo: expectativa, tratamentos e fatores prognósticos aprofunda essa discussão com rigor e clareza.

Conheça o Dr. Felipe Andrade

Equipe da Clínica FEMA reunida em frente à entrada da clínica, composta por três profissionais da saúde e um médico mastologista, representando atendimento especializado e abordagem multidisciplinar no tratamento do câncer de mama HER2 positivo.

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP)

O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). 

Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês. 

Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP. Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.

Perguntas frequentes sobre HER2 positivo e estratégia terapêutica

O que é um tumor T1c HER2 positivo e por que ele gera debate na mastologia? 

T1c é a classificação para tumores entre 1 e 2 centímetros. No subtipo HER2 positivo, mesmo tumores pequenos podem se beneficiar da quimioterapia antes da cirurgia, dependendo do perfil biológico. A decisão exige análise da biologia tumoral, não apenas do tamanho.

Por que considerar a neoadjuvância em tumores HER2-positivos de menor tamanho?

Porque o subtipo HER2 positivo responde de forma expressiva às terapias-alvo anti-HER2. A quimioterapia antes da cirurgia permite avaliar a resposta biológica do tumor e orienta decisões adjuvantes que impactam diretamente o prognóstico.

O que é resposta patológica completa e por que ela importa no HER2 positivo?

Resposta patológica completa ocorre quando, após a neoadjuvância, não há células tumorais viáveis no espécime cirúrgico. No HER2 positivo, esse resultado associa-se a melhor prognóstico e confirma a eficácia do tratamento realizado.

Quais fatores definem a escolha entre cirurgia primária e neoadjuvância? 

Os principais são: presença ou ausência de receptores hormonais (RE e RP), grau histológico do tumor e idade da paciente. Juntas, essas três variáveis constroem um retrato biológico do tumor, e é esse retrato, não o tamanho isolado, que orienta a conduta mais adequada para cada paciente. 

O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.

Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.

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