Mulher com as mãos sobre a região das mamas, representando preocupação com secreção mamilar e a importância do acompanhamento com o mastologista.

Secreção no mamilo é câncer? Entenda quando a alteração precisa ser investigada

Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher. 

Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

Mulher com as mãos sobre a região das mamas, representando preocupação com secreção mamilar e a importância do acompanhamento com o mastologista.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.

A secreção no mamilo nem sempre indica câncer, mas o tipo, a cor e a forma como ela aparece determinam o que fazer a seguir

Você percebeu uma mancha na roupa íntima ou, durante o banho, notou um líquido saindo do mamilo que não estava ali antes.

A preocupação veio rápido e a primeira busca no celular provavelmente foi: “secreção no mamilo é câncer?”

Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório do mastologista. 

E a resposta, na maioria dos casos, traz alívio. Segundo a Susan G. Komen Foundation, a secreção mamilar RARAMENTE é sinal de câncer de mama.

Isso significa que a grande maioria das descargas papilares tem causa benigna, mas benigna não quer dizer ignorável. 

Com a avaliação certa, é possível entender o que está acontecendo e agir com segurança.

O que é a secreção mamilar e por que ela pode surgir?

A secreção mamilar, chamada tecnicamente de descarga ou fluxo papilar, corresponde a qualquer líquido que sai pelo mamilo fora do período de amamentação. 

Ela pode surgir de forma espontânea ou aparecer apenas quando a mulher manipula a região.

As mamas possuem ductos que funcionam como pequenos canais internos. 

Mesmo fora da gestação, essas estruturas mantêm uma atividade discreta e, quando alguém as comprime com força, elas podem liberar pequenas quantidades de líquido. 

Esse achado isolado, especialmente bilateral e provocado, não representa motivo de alarme.

Hormônios como estrogênio, progesterona e prolactina atuam diretamente sobre o tecido mamário. 

Por essa razão, durante a gravidez, a amamentação e a menopausa, oscilações hormonais podem estimular secreções mesmo sem a presença de doença. 

Quando o líquido sai do mamilo sem gravidez, a paciente deve buscar avaliação médica para identificar a origem.

Vale reforçar uma orientação importante: evite comprimir o mamilo repetidamente para “verificar” se ainda sai líquido. 

Essa manipulação pode intensificar o que seria apenas um achado fisiológico e, além disso, dificulta a interpretação clínica na consulta.

Tipos de secreção no mamilo: o que cada cor pode indicar?

A cor e a consistência do líquido são informações valiosas para o mastologista. 

Cada apresentação aponta para caminhos diagnósticos distintos.

Secreção leitosa

A secreção branca no mamilo, com aspecto semelhante ao leite, costuma estar ligada à galactorreia, uma alteração nos níveis de prolactina. 

Medicamentos como antidepressivos, antipsicóticos e anticonvulsivos frequentemente provocam esse quadro. 

Condições como hipotireoidismo e microadenomas hipofisários também entram nessa lista e merecem investigação laboratorial específica.

Secreção esverdeada ou acastanhada

Esse tipo de secreção se associa frequentemente à ectasia ductal, uma dilatação natural dos ductos mamários que ocorre com o envelhecimento da mama. 

Por esse motivo, a secreção mamilar durante a menopausa costuma ter essa origem. 

A ectasia ductal não configura uma doença; trata-se de uma característica anatômica que o organismo desenvolve, em diferentes graus, em boa parte das mulheres na perimenopausa.

Secreção amarelada

A secreção amarela no mamilo costuma se relacionar à ectasia ductal ou a processos inflamatórios discretos. 

Quando bilateral e provocada por manipulação, tende a ser fisiológica. 

Se vier acompanhada de dor intensa, vermelhidão ou calor, pode indicar um processo que exige tratamento. 

Saiba mais: Vermelhidão na mama é câncer? Diferença entre inflamação, mastite e sinais de alerta

Secreção transparente: a “água de rocha”

A secreção transparente no mamilo, popularmente chamada de “água de rocha”, é um líquido claro, incolor e translúcido, quase indistinguível da água. 

Os especialistas a classificam tecnicamente como descarga serosa.

Diferente do que muitos imaginam, esse tipo de secreção não é automaticamente benigna. 

De acordo com o Annals of the Royal College of Surgeons of England, a descarga serosa ou clara se enquadra como patológica, ao contrário da secreção branca ou esverdeada, que os médicos consideram benigna.

O sinal de alerta está na forma como ela aparece: quando a secreção “água de rocha” surge de forma espontânea, sem qualquer manipulação, proveniente de um único ducto e em apenas uma mama, ela merece investigação. 

Nesse cenário, o mastologista precisa descartar lesões intraductais, tanto benignas quanto, em menor proporção, malignas.

Já quando ela aparece de forma bilateral e associada à manipulação, a apresentação se torna mais compatível com um achado fisiológico; ainda assim, a avaliação especializada continua sendo recomendada.

Secreção com sangue no mamilo

A secreção com sangue no mamilo é a que mais preocupa e, com razão. 

Mas aqui está um ponto que muitos conteúdos não explicam: mesmo a secreção sanguinolenta tem, na maioria dos casos, causa benigna.

Segundo a American Cancer Society, o papiloma intraductal, um tumor benigno que cresce dentro dos ductos de leite, é a causa mais comum de secreção clara ou sanguinolenta. 

A presença de sangue sempre justifica mamografia e ultrassom, mas ninguém deve interpretá-la como sinônimo automático de malignidade.

Papiloma intraductal: a causa mais frequente de secreção espontânea

O papiloma intraductal é a principal causa de descarga papilar espontânea. 

De acordo com estudo publicado na revista Phenomics e indexado no PubMed Central, o papiloma intraductal acomete principalmente mulheres entre 35 e 55 anos e tende a se localizar em um ducto principal, próximo ao mamilo.

Em geral, o papiloma solitário sem atipia celular não eleva o risco de câncer de mama. 

Ainda assim, o mastologista pode recomendar a remoção cirúrgica para análise completa do tecido e confirmação diagnóstica, uma decisão que depende do perfil de cada paciente.

Quando a secreção no mamilo pode indicar câncer?

A maioria das secreções tem origem benigna, mas algumas características elevam a suspeita e exigem investigação imediata.

Descarga papilar espontânea e unilateral

Quando o líquido sai de uma única mama, por um único orifício ductal e sem nenhuma manipulação, esse padrão chama-se descarga papilar. 

Essa alteração no mamilo espontânea e unilateral é, entre todas as formas de secreção, a que mais se associa a lesões intraductais, benignas ou malignas.

Secreção “água de rocha” ou sanguinolenta persistente

Tanto a secreção serosa clara quanto a sanguinolenta, quando espontâneas e persistentes, justificam a realização de exames de imagem. 

O tipo do líquido, combinado com a espontaneidade, forma o principal critério clínico que guia a investigação do mastologista.

Secreção associada a outros sinais

Se, além da secreção, a paciente notar um nódulo fixo na mama, retração do mamilo ou mudança na textura da pele, o quadro demanda avaliação urgente. 

Esses achados combinados precisam de confirmação diagnóstica sem demora.

Exames para investigar a secreção mamilar

O mastologista define os exames com base nas características da secreção e no perfil da paciente.

Mamografia

A mamografia é o exame de referência para rastreamento mamário, recomendado anualmente a partir dos 40 anos. 

O médico utiliza o sistema BI-RADS® para classificar os achados e orientar a conduta conforme o grau de suspeita.

Ultrassom das mamas

O ultrassom complementa a mamografia, especialmente em mamas densas ou em mulheres abaixo dos 40 anos. 

Com ele, o especialista identifica lesões intraductais como o papiloma e diferencia formações sólidas de cisto na mama.

Ressonância magnética

Quando mamografia e ultrassom não esclarecem a origem da secreção, o mastologista recorre à ressonância magnética para obter uma avaliação mais detalhada dos ductos e do tecido mamário.

Exame citológico e galactograma

A análise do líquido secretado permite identificar células atípicas com precisão. 

Em casos selecionados, o galactograma também localiza a lesão dentro do ducto, complementando as informações obtidas pelos exames de imagem.

O que fazer ao notar secreção no mamilo?

Antes da consulta, observe algumas características do líquido: cor, consistência, se saiu espontaneamente ou apenas ao pressionar, e se veio de uma mama ou das duas.

Situações que permitem agendar consulta de rotina: secreções bilaterais, provocadas por manipulação, com cor esbranquiçada, amarelada ou esverdeada, tendem a ser fisiológicas. Evite comprimir o mamilo repetidamente.

Situações que exigem avaliação sem esperar: secreção espontânea, unilateral, transparente como água ou com sangue, especialmente se persistente, requer avaliação do mastologista. 

O mesmo vale se houver dor nas mamas persistente, nódulo palpável ou qualquer alteração visível na pele ou no mamilo.

O diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento. Não espere os sinais se intensificarem para buscar avaliação.

Se você percebeu uma secreção e não sabe o que ela significa, o caminho entre a dúvida e a resposta começa com uma consulta com quem entende do assunto. 

Agende sua avaliação com seu mastologista. 

Para saber mais sobre câncer de mama e outros temas da saúde mamária, explore o blog da CLÍNICA FEMA.

Conheça o Dr. Felipe Andrade

Retrato de médico sorridente usando óculos e blazer azul, apoiando o queixo sobre a mão em ambiente profissional.

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.

Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.

Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.

Perguntas frequentes sobre secreção no mamilo

A secreção transparente “água de rocha” no mamilo é perigosa? 

Depende de como ela se apresenta. A secreção clara e transparente, quando bilateral e associada à manipulação, costuma ser fisiológica. Quando surge de forma espontânea, por um único ducto e em apenas uma mama, é classificada como patológica pela literatura especializada e precisa ser investigada pelo mastologista.

Secreção amarela no mamilo é normal? 

Na maioria das vezes, sim. Em geral, relaciona-se à ectasia ductal, uma dilatação benigna dos ductos mamários. Se vier acompanhada de dor intensa, vermelhidão ou calor, pode indicar processo inflamatório que exige avaliação e tratamento.

Líquido saindo do mamilo sem estar grávida: o que pode ser? 

As causas mais comuns são galactorreia por alteração na prolactina, ectasia ductal e papiloma intraductal. Medicamentos também entram nessa lista. O mastologista identifica a origem com exame clínico, laboratorial e, quando necessário, de imagem.

Toda secreção com sangue no mamilo indica câncer? 

Não. O papiloma intraductal, um tumor benigno, é a principal causa de secreção sanguinolenta. Ainda assim, a presença de sangue sempre justifica mamografia e ultrassom para descartar outras possibilidades.

Quais exames o mastologista pede para investigar a secreção mamilar? 

Os mais solicitados são mamografia (a partir dos 40 anos), ultrassom mamário e exames laboratoriais, como dosagem de prolactina e função tireoidiana. Em casos específicos, ressonância magnética, galactograma ou biópsia complementam a investigação.

A secreção mamilar durante a menopausa é esperada? 

Pode ser. A ectasia ductal, condição comum na perimenopausa, frequentemente provoca secreção esverdeada ou acastanhada. Mesmo assim, qualquer nova secreção deve ser comunicada ao mastologista para avaliação e descarte de outras causas.

O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.

Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.

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