Mulher realiza autoexame das mamas, apalpando uma das mamas com as mãos contra um fundo rosa, em imagem relacionada à avaliação da saúde mamária.

O que é BI-RADS? Entenda a classificação dos exames das mamas

Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher. 

Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

Mulher realiza autoexame das mamas, apalpando uma das mamas com as mãos contra um fundo rosa, em imagem relacionada à avaliação da saúde mamária.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, mastologista, doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons.

Sistema que padroniza os laudos de mamografia, ultrassom e ressonância e orienta a conduta clínica após cada resultado

O que é BI-RADS®: a sigla vem do inglês Breast Imaging-Reporting and Data System e representa um sistema internacional que padroniza a linguagem dos laudos de imagem das mamas e classifica cada achado conforme o risco de malignidade. 

Entender o que ela significa é o primeiro passo para tomar decisões certas sobre a sua saúde.

O que significa BI-RADS®?

Origem da classificação

O sistema foi criado pelo American College of Radiology (ACR) para resolver um problema prático: antes de sua criação, os laudos de mamografia não seguiam linguagem uniforme, o que gerava interpretações divergentes entre radiologistas e dificultava a tomada de decisão clínica.

Segundo o StatPearls (NCBI), o BI-RADS® foi proposto pelo ACR em 1986 e publicado oficialmente em 1993 para padronizar os laudos de imagem das mamas. 

Objetivo do sistema

O BI-RADS® cumpre três funções principais:

  • Padronizar a terminologia dos laudos, independentemente do radiologista ou do serviço;
  • Classificar os achados de acordo com o risco de malignidade;
  • Indicar a conduta recomendada para cada categoria, como acompanhamento ou biópsia.

Padronização dos laudos

Com a adoção do sistema, um resultado BI-RADS® emitido em qualquer serviço de radiologia segue a mesma estrutura de categorias e recomendações.

Isso facilita a comunicação entre o radiologista, o mastologista e a paciente e evita que um mesmo achado receba interpretações diferentes conforme o profissional ou o local do exame.

Quais exames utilizam o BI-RADS®?

O sistema se aplica aos três principais exames de imagem das mamas.

Mamografia

A mamografia é o exame de rastreamento recomendado anualmente a partir dos 40 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Febrasgo.

Ela detecta alterações antes que se tornem perceptíveis, como microcalcificações na mama e câncer e distorções no tecido mamário. Todo resultado de mamografia recebe uma classificação BI-RADS®.

Ultrassom das mamas

O ultrassom é indicado especialmente para mulheres com mamas densas ou com menos de 40 anos. É útil para diferenciar nódulos sólidos de cistos e para guiar procedimentos como a punção da mama.

O resultado também recebe a classificação BI-RADS®, com categorias adaptadas às características desse tipo de exame.

Ressonância magnética

A ressonância magnética das mamas é solicitada em situações específicas, como alto risco genético ou quando os exames anteriores não foram conclusivos.

Ela segue a mesma lógica do BI-RADS® com categorias equivalentes às da mamografia e do ultrassom, o que permite comparar resultados e acompanhar a evolução do caso.

O que significa cada categoria do BI-RADS®?

A escala vai de 0 a 6, e cada número traz uma informação objetiva sobre o risco e a conduta recomendada.

BI-RADS® 0

O exame é inconclusivo: o radiologista precisa de mais informações para chegar a um resultado definitivo. Em geral, isso indica a necessidade de imagens complementares ou de comparação com exames anteriores.

Receber um BI-RADS® 0 não significa que há algo errado, apenas que a investigação precisa continuar.

BI-RADS® 1 e 2

São os resultados considerados normais ou benignos:

  • BI-RADS® 1: exame sem nenhuma alteração identificada. A mama está normal e o rastreamento de rotina deve seguir normalmente;
  • BI-RADS® 2: há um achado, mas ele é claramente benigno, como um cisto simples ou uma calcificação de aspecto típico. Nenhuma intervenção é necessária, e o acompanhamento regular é suficiente.

Juntas, essas duas categorias representam a maioria absoluta dos resultados. Recebê-las é um sinal de que tudo está bem.

BI-RADS® 3

Classifica achados provavelmente benignos, com probabilidade de malignidade muito baixa.

Por esse motivo, a biópsia não é a conduta inicial.

O protocolo recomendado é o acompanhamento semestral por imagem ao longo de dois anos, para verificar se há mudança nas características do achado.

Um resultado BI-RADS® 3 não significa suspeita de câncer. Significa que o achado precisa ser monitorado com atenção e regularidade.

BI-RADS® 4

Indica achado suspeito, que exige biópsia para definir o diagnóstico. Essa categoria se subdivide em três níveis, conforme o grau de suspeita:

  • BI-RADS® 4A: baixa suspeita de malignidade;
  • BI-RADS® 4B: suspeita intermediária;
  • BI-RADS® 4C: suspeita elevada.

Independentemente da subcategoria, todas as pacientes com resultado BI-RADS® 4 precisam realizar biópsia. Procedimentos como a mamotomia são frequentemente indicados para a coleta do material de forma minimamente invasiva.

BI-RADS® 5

Classifica achados altamente sugestivos de malignidade, com probabilidade de câncer superior a 95%, conforme a escala do ACR.

A biópsia é obrigatória para confirmar o diagnóstico e iniciar o planejamento do tratamento o quanto antes.

BI-RADS® 6

Essa categoria é utilizada quando o diagnóstico de câncer já foi confirmado por biópsia. O BI-RADS® 6 não indica um novo diagnóstico; ele aparece nos exames de controle durante ou após o tratamento oncológico, para monitorar a resposta ao tratamento.

BI-RADS® significa câncer?

Nem toda alteração é maligna

Não. A presença do BI-RADS® no laudo não significa, necessariamente, diagnóstico de câncer.

A maior parte dos resultados se enquadra nas categorias 1, 2 e 3, ou seja, achados normais, benignos ou com baixíssima probabilidade de malignidade. 

Apenas as categorias 4 e 5 indicam suspeita e exigem investigação complementar.

Mesmo nessas situações, a biópsia é o único exame capaz de confirmar ou descartar o diagnóstico de câncer de mama. Uma classificação suspeita no laudo não é, por si só, um diagnóstico.

Como o mastologista interpreta o exame

O radiologista classifica o achado com base nos critérios do BI-RADS®. Mas é o mastologista quem interpreta esse resultado dentro do contexto clínico da paciente: histórico familiar, densidade mamária, sintomas relatados e exames anteriores.

Por isso, o laudo com a classificação BI-RADS® é o ponto de partida, não a conclusão final. O diagnóstico do câncer de mama envolve sempre uma avaliação integrada entre imagem e clínica.

Quando procurar um mastologista?

Exames alterados

Qualquer resultado a partir do BI-RADS® 3 deve ser avaliado por um mastologista. É ele quem vai analisar o laudo dentro do seu histórico clínico e definir a conduta mais adequada, seja acompanhamento ou investigação complementar.

Não adie essa consulta. 

A detecção precoce segue sendo o fator mais determinante para o sucesso do tratamento.

Dúvidas no resultado

Se o laudo trouxe uma classificação que você não compreendeu, ou se as orientações do radiologista não ficaram claras, o mastologista é o profissional indicado para explicar o que o resultado significa na prática e o que precisa ser feito.

Nenhuma dúvida é pequena quando o assunto é a saúde das mamas.

Histórico familiar

Mulheres com histórico de câncer de mama na família carregam um risco aumentado e podem precisar de rastreamento mais frequente, com início mais cedo ou com exames complementares.

Nesses casos, a avaliação pelo mastologista deve ocorrer antes mesmo de qualquer alteração no laudo, e o planejamento do rastreamento precisa ser individualizado.

Se você recebeu um resultado alterado, tem dúvidas sobre o laudo de algum exame das mamas ou deseja iniciar o rastreamento, agende uma consulta.

Conheça o Dr. Felipe Andrade

Dr. Felipe Andrade, mastologista da CLÍNICA FEMA, sorri com a mão apoiada sob o queixo, usando óculos e blazer azul-marinho sobre camisa branca.

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.

Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.

Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.

Banner horizontal em rosa-claro com a borda esquerda recortada, trazendo a chamada "Conheça melhor os tratamentos disponibilizados pela Clínica FEMA" em letras rosa-magenta, com o nome da clínica em destaque. Abaixo do texto aparece o logotipo da CLÍNICA FEMA, um quadrado azul com dois desenhos estilizados em curvas que remetem ao símbolo das mamas.

FAQ — Perguntas frequentes sobre BI-RADS®

O que é BI-RADS®? 

BI-RADS® (Breast Imaging-Reporting and Data System) é um sistema criado pelo American College of Radiology para padronizar os laudos de exames de imagem das mamas. Ele classifica os achados em categorias de 0 a 6 conforme o risco de malignidade e indica a conduta recomendada para cada resultado, desde o acompanhamento regular até a biópsia.

O que é BI-RADS® 2? 

BI-RADS® 2 indica um achado benigno nas mamas, como um cisto simples ou uma calcificação de aspecto típico. Não há suspeita de malignidade e nenhuma intervenção é necessária, apenas a manutenção do rastreamento regular conforme orientação médica.

O que é BI-RADS® 3? 

BI-RADS® 3 classifica um achado provavelmente benigno, com probabilidade de malignidade inferior a 2%. A conduta habitual é o acompanhamento semestral por imagem durante dois anos. A biópsia não é a primeira indicação nessa categoria, mas pode ser solicitada se houver mudança nas características do achado ao longo do seguimento.

O que é BI-RADS® 4? 

BI-RADS® 4 indica um achado suspeito que exige biópsia para definir o diagnóstico. A categoria se divide em 4A (baixa suspeita), 4B (suspeita intermediária) e 4C (suspeita elevada). Em todos os casos, a investigação histológica é obrigatória para confirmar ou descartar a malignidade.

O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.

Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.

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