Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher.
Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita, Doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons, e atuante em sua clínica privada, a Clínica FEMA.
Vermelhidão, calor e inchaço na mama nem sempre indicam infecção. Entenda quando esses sinais pedem avaliação com um mastologista.
A dúvida se mama quente e vermelha pode ser câncer costuma vir acompanhada de medo.
Afinal, perceber a mama vermelha e quente, inchada ou dolorida de um dia para o outro assusta qualquer mulher.
Contudo, na maioria dos casos, a causa é benigna, como uma inflamação ou uma infecção comum.
Ainda assim, o câncer inflamatório da mama também pode se manifestar exatamente dessa forma.
Por isso, todo sinal de vermelhidão associado a calor local merece avaliação médica, mesmo quando parece só uma irritação passageira.
Assim, neste artigo, você vai entender por que o calor na mama e a mama avermelhada aparecem.
Também vai aprender a diferenciar uma condição benigna do câncer inflamatório e a identificar quais sintomas exigem atenção imediata.
O que pode deixar a mama quente e vermelha
A mama quente e vermelha costuma ter origem inflamatória ou infecciosa, e não câncer.
Além disso, a maioria dessas situações responde bem ao tratamento indicado pelo médico.
Ainda assim, cada causa exige uma abordagem específica. Por isso, o diagnóstico correto faz toda a diferença antes de qualquer conclusão precipitada.
Alterações inflamatórias
Processos inflamatórios no tecido mamário provocam vermelhidão, inchaço e sensação de calor.
Assim, eles surgem por reações alérgicas, traumas locais, picadas de inseto ou irritações por tecidos e produtos de higiene.
A dor na mama costuma acompanhar esse quadro, principalmente ao toque ou durante a movimentação do braço.
Em geral, esses sintomas melhoram em poucos dias com o tratamento indicado pelo médico, sem deixar sequelas no tecido mamário.
Mastite
A mastite é a inflamação mais comum entre as causas de mama inflamada.
Contudo, ela é mais frequente durante a amamentação, quando o leite represado favorece a proliferação bacteriana.
Ainda assim, também pode acontecer fora desse período.
Costuma vir acompanhada de dor, febre, calafrios e, em alguns casos, secreção purulenta pelo mamilo.
A mama inchada e vermelha por mastite costuma evoluir rápido, em questão de horas, e responde bem a antibióticos assim que o tratamento começa.
Quando evolui para abscesso, pode formar um nódulo doloroso e bem localizado.
Saiba mais em:
Nódulo palpável na mama: causas, diagnóstico e quando se preocupar.
Infecções da mama
Bactérias que entram pela pele, principalmente por meio de fissuras no mamilo, também causam infecção na mama.
Esse tipo de infecção pode ocorrer mesmo sem relação com a amamentação, como em casos de piercing, cirurgias prévias ou pequenos cortes na pele.
Assim, esse quadro costuma responder bem a antibióticos administrados por via oral.
Ainda assim, exige acompanhamento para confirmar a melhora completa e descartar formação de abscesso.
Alterações dermatológicas
Dermatites, micoses e outras condições de pele também explicam alterações na pele da mama e manchas vermelhas na região.
Coceira, descamação e bolhas costumam acompanhar esses quadros, diferenciando-os de uma inflamação mais profunda do tecido mamário.
Para entender melhor essas possibilidades, veja:
Mancha vermelha no peito é sinal de alguma condição grave?
O que é o câncer inflamatório da mama
O câncer inflamatório da mama é bem menos frequente do que as causas benignas.
Mesmo assim, precisa ser descartado sempre que a vermelhidão não melhora com o tratamento indicado.
Um tipo raro de câncer de mama
Segundo a American Cancer Society, esse tipo de tumor é responsável por cerca de 1% a 5% dos diagnósticos de câncer de mama. Além disso, os sintomas costumam surgir de forma rápida, em poucas semanas ou meses.
Diferente de outros tumores, ele raramente forma um nódulo palpável logo no início.
Isso dificulta a identificação precoce e engana até quem já conhece os sinais mais comuns de câncer de mama.
Por essa razão, a pergunta “mama quente pode ser câncer?” não tem resposta simples: exige observação da evolução do quadro, não só da aparência inicial.
Como ele se manifesta
O câncer inflamatório bloqueia os vasos linfáticos da pele.
Por consequência, esse bloqueio provoca inchaço, calor e coloração avermelhada que pode variar do rosado ao arroxeado.
A pele também pode ficar mais espessa e sensível ao toque, mesmo sem a presença de um nódulo.
Em estágios mais avançados, a pele pode ganhar o aspecto descrito em:
Mama casca de laranja: o que significa?
Diferenças em relação aos tumores mais comuns
Em geral, o carcinoma ductal invasivo se apresenta como um nódulo endurecido, fixo e indolor.
Já o câncer inflamatório se destaca justamente pela ausência desse sinal clássico.
Por isso, muitas pacientes demoram a procurar avaliação, já que não sentem o caroço associado ao Câncer de mama.
Essa diferença também explica por que o câncer inflamatório costuma ser diagnosticado em estágio mais avançado do que outros tipos de tumor.
Como diferenciar mastite de câncer inflamatório
Contudo, distinguir as duas condições apenas pela aparência é praticamente impossível.
Isso acontece porque os sinais externos se sobrepõem quase por completo. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável desde o primeiro sinal.
Tempo de evolução
Assim, a mastite costuma surgir de forma repentina, geralmente ligada à amamentação ou a uma lesão na pele.
Já o câncer inflamatório também tem início rápido, muitas vezes em questão de dias.
No entanto, ele progride mesmo diante do tratamento correto para infecção.
Resposta ao tratamento
Segundo a StatPearls, publicação médica indexada na National Library of Medicine, a maioria das pacientes com câncer inflamatório é tratada inicialmente com antibióticos por suspeita de mastite ou abscesso.
Só depois, diante da falta de melhora clínica, procuram avaliação especializada.
Esse é um dos principais sinais de alerta.
Se a vermelhidão na mama não reduzir após alguns dias de antibiótico, a investigação precisa continuar sem demora.
Presença de outros sinais clínicos
Por outro lado, febre alta e secreção purulenta favorecem o diagnóstico de mastite.
Já linfonodos endurecidos na axila, mudanças na textura da pele ou secreção espontânea no mamilo pedem atenção redobrada.
A ausência de febre, combinada com vermelhidão que se espalha progressivamente, também aumenta a suspeita de câncer inflamatório.
Veja também:
Caroço na axila: quando é um sinal preocupante?
Secreção no mamilo é câncer? Entenda quando a alteração precisa ser investigada
Quais sintomas exigem avaliação imediata
Ainda assim, alguns sinais pedem consulta médica sem demora.
Isso porque podem indicar uma condição que precisa de diagnóstico rápido, antes que o quadro avance.
Vermelhidão persistente
Quando a vermelhidão na mama não melhora após alguns dias de tratamento, a investigação deve ser aprofundada.
O mesmo vale se ela voltar a piorar depois de um período de melhora aparente, ou se ganhar novas áreas da mama.
Mama endurecida
Dessa forma, o endurecimento progressivo do tecido mamário também merece atenção.
Principalmente quando é percebido em toda a extensão da mama, e não apenas em um ponto isolado, sem relação com o ciclo menstrual ou com a amamentação.
Pele semelhante à casca de laranja
Esse aspecto surge quando o inchaço compromete os poros da pele, criando pequenas reentrâncias visíveis.
Como resultado, a mama ganha uma textura irregular, um dos sinais mais associados ao câncer inflamatório e mais fácil de identificar a olho nu.
Alterações no mamilo
A retração ou a mudança na posição do mamilo pode acontecer por diferentes causas, desde condições benignas até tumores mais avançados.
Para entender melhor esse sintoma, leia:
Retração do mamilo: pode ser uma doença mamária?
Aumento rápido do volume da mama
Um crescimento perceptível da mama em poucas semanas também é um sinal que não deve ser ignorado.
Isso acontece porque o bloqueio dos vasos linfáticos represa líquido no tecido.
Como resultado, o volume da mama aumenta de forma desproporcional e geralmente unilateral.
Diferente do inchaço ligado ao ciclo menstrual, que afeta as duas mamas e regride em poucos dias, esse aumento não some sozinho.
Sobretudo quando vem acompanhado de peso, calor local ou pele mais tensa, a avaliação com um mastologista não deve esperar.
Quais exames ajudam no diagnóstico
O diagnóstico correto depende da combinação entre avaliação clínica e exames complementares.
Isso porque nenhum exame isolado confirma sozinho a causa da vermelhidão.
Avaliação clínica com mastologista
Por isso, a consulta com o mastologista é sempre o primeiro passo.
Durante o exame, o médico avalia a extensão da vermelhidão, a temperatura da pele e a presença de nódulos ou linfonodos alterados.
Também considera o histórico de evolução dos sintomas relatado pela paciente.
Saiba mais em:
Diagnóstico do câncer de mama: exames, sintomas e como identificar precocemente
Mamografia (a partir dos 40 anos)
A mamografia anual, recomendada a partir dos 40 anos, ajuda a identificar alterações no tecido mamário mesmo antes de serem palpáveis.
Além disso, o resultado costuma ser classificado pelo sistema BI-RADS®, que orienta a conduta seguinte.
No câncer inflamatório, porém, o espessamento da pele pode dificultar a leitura da mamografia, o que reforça a importância de associar outros exames.
Ultrassom das mamas
Assim, o ultrassom complementa a mamografia, principalmente em mulheres mais jovens ou com mamas densas.
Além disso, ajuda a diferenciar cistos de massas sólidas e avaliar o espessamento da pele.
Ressonância magnética quando indicada
Contudo, em casos mais complexos, a ressonância magnética entra como recurso adicional.
Ela oferece uma avaliação mais detalhada da extensão do comprometimento do tecido mamário e da pele.
Biópsia quando necessária
Quando os exames de imagem levantam suspeita, a biópsia confirma o diagnóstico.
No câncer inflamatório, o material costuma ser retirado de um fragmento da pele, e não apenas do tecido mamário, já que é ali que a doença se manifesta.
Entenda como é o procedimento em:
Biópsia dói? Tipos de biópsia mamária e o nível de desconforto em cada um
Atendimento especializado no Einstein Hospital Israelita e na CLÍNICA FEMA
O acompanhamento com um mastologista experiente reduz o tempo entre a suspeita e o diagnóstico definitivo.
Isso é decisivo diante de qualquer alteração inflamatória na mama, já que a demora costuma ser o maior obstáculo para o tratamento precoce.
Assim, o Dr. Felipe Andrade atende no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e também em sua clínica particular, a CLÍNICA FEMA.
Dessa forma, oferece avaliação completa desde a consulta inicial, passando pelos exames de imagem, até o Tratamento do câncer de mama, quando necessário.
Se você notou vermelhidão, calor ou inchaço na mama que não melhora, agende uma consulta com um mastologista e tire suas dúvidas com quem entende do assunto.

Conheça o Dr. Felipe Andrade

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.
Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.
Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.
Perguntas frequentes
Não. Na maioria dos casos, esses sintomas estão relacionados a infecções ou inflamações da mama, como a mastite. Ainda assim, alterações persistentes precisam ser avaliadas por um mastologista.
Os dois quadros podem apresentar sinais parecidos, por isso a diferenciação depende da avaliação clínica e de exames de imagem. Além disso, a resposta ao tratamento com antibiótico é um critério importante nessa investigação.
Não. Trata-se de um tipo raro de câncer de mama. Contudo, costuma evoluir rapidamente e, por isso, merece diagnóstico precoce.
Não. A necessidade de biópsia depende da causa suspeita e dos resultados dos exames de imagem realizados anteriormente.
O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.
Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.



