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Mulher posicionada diante de um equipamento de mamografia, observando a tela do aparelho durante exame de imagem das mamas.

BI-RADS 4C assusta, mas ainda não é o diagnóstico: entenda o que o laudo realmente diz

Os artigos publicados neste Blog têm o intuito de educar e desmistificar crenças populares acerca do câncer de mama, assim como de todas as condições mamárias benignas e malignas que afetam a saúde da mulher. 

Ao longo do material, você pode encontrar termos populares que não correspondem aos termos médicos corretos. Recorremos a este recurso para facilitar a compreensão e o entendimento das condições mamárias e, assim, conscientizar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção e tratamento dessas condições.

Mulher posicionada diante de um equipamento de mamografia, observando a tela do aparelho durante exame de imagem das mamas.

O conteúdo deste artigo foi revisado pelo Dr. Felipe Andrade, Mastologista Titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita, Doutor em Ciências da Saúde (Sírio-Libanês), membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da American Society of Breast Surgeons, e atuante em sua clínica privada, a Clínica FEMA.

Classificação de imagem que aponta suspeita elevada de malignidade nas mamas, o BI-RADS® 4C pede investigação sem demora, embora o diagnóstico só venha com a análise do tecido.

Ler “BI-RADS® 4C” no resultado da mamografia ou do ultrassom costuma travar a respiração de quem recebe o laudo. 

A sigla não é familiar. O número, colado no BI-RADS® 5, parece a pior notícia possível.

Mesmo assim, não se trata de um diagnóstico.

O BI-RADS® 4C aponta suspeita elevada de malignidade e requer investigação, mas não confirma o diagnóstico de câncer de mama. Só a biópsia costuma transformar essa suspeita em resposta.

Nas próximas seções, você vai entender o que a classificação significa, quais achados de imagem a motivam, o que a separa do BI-RADS® 5 e o que tende a acontecer depois do resultado.

O que é BI-RADS® 4C?

O BI-RADS® (Breast Imaging Reporting and Data System) é o sistema criado pelo American College of Radiology para padronizar os laudos de imagem das mamas no mundo todo. 

Cada resultado recebe uma categoria de 0 a 6, proporcional ao risco de malignidade e à conduta sugerida. Para conhecer o sistema por inteiro, vale a leitura de O que é BI-RADS? e também de BI-RADS®: entenda o exame que aponta o risco de câncer.

A categoria 4 reúne os achados suspeitos que pedem biópsia, mas que ainda não têm a aparência clássica de malignidade. Dentro dela, o ACR criou três subdivisões:

  • BI-RADS® 4A: baixa suspeita (>2% a ≤10% de probabilidade de malignidade)
  • BI-RADS® 4B: suspeita intermediária (>10% a ≤50%)
  • BI-RADS® 4C: suspeita elevada (>50% a <95%)

Segundo o ACR BI-RADS® Atlas (5.ª edição), citado na Frontiers in Oncology, a probabilidade de malignidade no BI-RADS® 4C fica entre mais de 50% e menos de 95%.

O resultado requer avaliação médica e investigação por meio de biópsia. Mesmo assim, o diagnóstico definitivo permanece em aberto até a análise do tecido. 

Aprofunde-se: Recebi BI-RADS® 4B: o que esse resultado realmente significa.

BI-RADS® 4A, 4B e 4C: como a suspeita muda de peso.

A categoria 4 foi dividida porque a faixa de risco é ampla demais para um único protocolo.

Um nódulo com 4% de probabilidade de malignidade e outro com 70% pertencem a faixas distintas de suspeição, embora ambos tenham indicação de biópsia. A subcategoria ajuda a comunicar a probabilidade de malignidade, mas não confirma o diagnóstico. 

No BI-RADS 4A a maior parte das biópsias confirma achado benigno. Já no BI-RADS® 4C, a balança pende para o outro lado: mais da metade dos casos costuma resultar em diagnóstico de malignidade. 

Para situar a categoria como um todo, vale conferir:
Recebeu BI-RADS 4 no exame? Saiba o que fazer agora
.

Vale lembrar que o número não caminha em linha reta. Uma lesão acompanhada como BI-RADS 3 pode ser reclassificada para 4 em um exame seguinte, e um exame que veio BI-RADS 0 apenas indica que faltou informação, não suspeita. 

O 4C é outra conversa: aqui, o achado já reúne características que chamam a atenção do radiologista.

Quais achados de imagem levam ao BI-RADS® 4C?

O radiologista não chega a essa classificação por intuição. 

Ele avalia características objetivas da lesão, combinando forma e margens do nódulo, tipo e distribuição das calcificações e alterações na arquitetura do tecido mamário.

Entre os achados que costumam levar ao BI-RADS® 4C, aparecem três padrões:

  • Nódulos irregulares com margens espiculadas. As espiculações são projeções que partem da lesão em direção ao tecido ao redor. É um desenho associado à invasão dos tecidos, um dos sinais mais valorizados na leitura da imagem.
  • Calcificações lineares finas ou ramificadas. Esse tipo de calcificação acompanha o trajeto dos ductos mamários, o que levanta a suspeita de um processo dentro do ducto. Calcificações de aspecto grosseiro tendem a ficar no 4B; as lineares costumam empurrar o achado para o 4C.
  • Nódulos sólidos novos, sem nenhum traço de benignidade. Um nódulo que surge em uma mama antes normal, sem margens bem delimitadas e sem os sinais típicos de lesão benigna ao ultrassom, dificilmente escapa de uma classificação alta.

Assim, o que diferencia o BI-RADS® 4C do 4B é o grau de suspeição atribuído ao conjunto dos achados de imagem. No 4C, a probabilidade estimada de malignidade é superior a 50% e inferior a 95%. 

BI-RADS® 4C é câncer?

Não.

O BI-RADS® 4C é uma classificação de imagem, não um diagnóstico. O radiologista descreve o que enxerga. Depois, quem chega à conclusão é o mastologista, com o laudo, o histórico e o resultado da biópsia em mãos. Para conhecer o alcance dessa especialidade, vale a leitura de Médico mastologista: o que faz esse especialista e quais condições trata?.

Mesmo com probabilidade acima de 50%, o resultado benigno na biópsia ainda é possível. Menos frequente do que nas subcategorias anteriores, mas possível. 

Fibroadenomas complexos, papilomas e lesões proliferativas atípicas podem, em certas apresentações, receber o 4C e terminar confirmados como benignos.

Ainda assim, atenção não é exagero. O Dr. Felipe Andrade costuma lembrar por que uma lesão suspeita merece investigação, mesmo antes de qualquer confirmação:

“Está mais do que provado que lesões atípicas aumentam o risco dessa paciente vir a desenvolver uma lesão invasiva.”

Por isso, a biópsia é indicada em todos os casos de BI-RADS® 4C. Nenhuma imagem, por mais detalhada que seja, substitui a análise do tecido.

Biópsia e a leitura conjunta do resultado.

Quais são os tipos de biópsia indicados no BI-RADS® 4C?

Depois de um laudo BI-RADS® 4C, a consulta com o mastologista costuma definir a modalidade de biópsia mais adequada para aquela lesão.

Entre os métodos que podem ser utilizados estão a biópsia por agulha grossa, também chamada de core biópsia, e a biópsia assistida a vácuo, conhecida como mamotomia. A escolha depende das características e da localização da lesão. 

A mamotomia usa um sistema a vácuo que coleta fragmentos maiores em uma única inserção, o que ajuda na análise em lesões pequenas ou com microcalcificações. 

Esses procedimentos geralmente são realizados em regime ambulatorial. O tipo de anestesia e o prazo para retomar as atividades variam conforme a técnica utilizada e a orientação da equipe médica. 

Quem quer entender o desconforto de cada técnica encontra a resposta em Biópsia dói? Tipos de biópsia mamária e o nível de desconforto em cada um.

O material coletado segue para a análise anatomopatológica, o exame que costuma definir se a lesão é benigna, pré-maligna ou maligna. 

Se você quer saber quanto tempo essa etapa costuma levar, vale conferir:
Fez biópsia na mama? Veja quanto tempo demora o resultado.

E quando a biópsia volta benigna em um BI-RADS® 4C?

Há, porém, um ponto que a maioria dos artigos sobre o tema deixa de fora: e quando a biópsia volta benigna em um achado 4C?

Entra aqui a chamada correlação radiológico-patológica, que compara os achados dos exames de imagem com o resultado anatomopatológico da biópsia. 

Quando há discordância entre os dois (imagem muito suspeita, mas anatomopatológico benigno), o protocolo costuma indicar nova biópsia ou a retirada cirúrgica da lesão, para afastar a hipótese de que a agulha tenha coletado material de uma área que não representava a lesão inteira.

O Dr. Felipe Andrade descreve esse cuidado ao lidar com lesões que antecedem o câncer:

“Eu tenho que ampliar muitas vezes, tirar um pedaço maior para realmente saber se ela não tem um câncer naquele local.”

É esse raciocínio que separa o laudo da conduta.

Um resultado benigno na biópsia de um BI-RADS® 4C nem sempre encerra o caso. A palavra final tende a ficar com o mastologista, que avalia imagem e tecido lado a lado.

Qual a diferença entre BI-RADS® 4C e BI-RADS® 5?

Essa é uma das dúvidas mais buscadas por quem recebe o laudo e raramente explicada com clareza.

A diferença não está na indicação de biópsia, obrigatória nas duas categorias. Está na probabilidade e no tipo de achado que sustenta cada uma.

BI-RADS® 4C: probabilidade de malignidade superior a 50% e inferior a 95%. Os achados apresentam suspeição elevada, mas o diagnóstico depende da análise do tecido. 

BI-RADS® 5: probabilidade de malignidade igual ou superior a 95%. Os achados são altamente sugestivos, mas a confirmação também depende da avaliação anatomopatológica. 

No BI-RADS® 5, os achados de imagem são altamente sugestivos de malignidade e requerem investigação apropriada. Ainda assim, a confirmação do diagnóstico depende da análise anatomopatológica. 

O BI-RADS® 4C ainda guarda um espaço de incerteza, pequeno, porém real. É essa margem que a biópsia existe para resolver.

O papel do mastologista depois do laudo.

O laudo com BI-RADS® 4C chega como um número. O mastologista costuma transformá-lo em conduta personalizada.

Na consulta, o especialista analisa não só o exame atual, mas os anteriores, a densidade das mamas, o histórico familiar e os fatores de risco de cada pessoa. 

Uma mesma classificação pode gerar caminhos diferentes conforme o contexto clínico. Para acompanhar como essa investigação se organiza, vale a leitura de Diagnóstico do câncer de mama: exames, sintomas e como identificar precocemente.

Se a biópsia confirmar malignidade, o mastologista costuma conduzir o planejamento do tratamento junto a uma equipe multidisciplinar, com oncologistas, radioncologistas e cirurgiões plásticos. 

O diagnóstico de câncer de mama raramente é o fim da linha; costuma ser o começo de um plano.

Quando a lesão é pequena e benigna, a própria biópsia pode dar conta de retirá-la por completo, cenário explicado em Mamotomia remove o nódulo. Em lesões maiores ou malignas, a cirurgia segue como a etapa de tratamento.

A imagem mostra o achado. A clínica, com o tecido em mãos, define o caminho.

Conheça o Dr. Felipe Andrade

Dr. Felipe Andrade, mastologista, em retrato profissional usando jaleco branco e gravata vermelha.

O Dr. Felipe Andrade é um médico mastologista com formação em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Complementou sua formação com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

O Dr. Felipe Andrade possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Adicionalmente, é membro titular da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) e possui doutorado em Ciências da Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês.

Atualmente, o Dr. Felipe Andrade atua como mastologista titular no Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e em sua clínica privada, a Clínica FEMA, localizada no bairro Indianópolis, na cidade de São Paulo, SP.

Conheça mais sobre seu trabalho no perfil do Instagram @cancerdemamaonline.

Perguntas frequentes sobre BI-RADS® 4C

O que significa BI-RADS® 4C?

BI-RADS® 4C é a subcategoria de suspeita mais elevada dentro da categoria 4 do sistema internacional de classificação de imagens mamárias, criado pelo American College of Radiology. Indica probabilidade de malignidade entre mais de 50% e menos de 95%, segundo o ACR BI-RADS® Atlas (5.ª edição). O resultado pede biópsia sem demora, mas não confirma diagnóstico de câncer de mama.

BI-RADS® 4C pode ser benigno?

Sim. A chance de um resultado benigno é menor do que nas subcategorias 4A e 4B, porém ainda existe. Em apresentações específicas, fibroadenomas complexos, papilomas e certas lesões proliferativas atípicas podem receber a classificação 4C e, posteriormente, ser confirmados como benignos. Por isso, a biópsia é indispensável, pois somente a análise do tecido tende a definir a natureza do achado.

BI-RADS® 4C precisa de biópsia?

Sim, em todos os casos. A biópsia costuma ser o único procedimento capaz de transformar uma suspeita identificada na imagem em diagnóstico. Além disso, nenhuma característica visual, por mais específica que seja, substitui a análise do material coletado da mama.

Qual a diferença entre BI-RADS® 4C e BI-RADS® 5?

Ambas as categorias têm indicação de biópsia. No BI-RADS® 4C, a probabilidade de malignidade é superior a 50% e inferior a 95%, enquanto, no BI-RADS® 5, ela é igual ou superior a 95%. Ainda assim, apesar da diferença no grau de suspeição, somente a análise do tecido permite confirmar o diagnóstico.

O Dr. Felipe Andrade está comprometido em fornecer informações médicas precisas sobre as condições mamárias. Para tornar certos temas mais acessíveis, ele pode recorrer ao uso de termos populares.

Embora possam ser inadequados em relação à terminologia médica correta, este recurso visa capacitar a população com conhecimento e facilitar o diálogo com os profissionais de saúde.

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